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É correto usar a expressão ‘muito pouco’? Não é contraditório?

Quem analisa a frase e sua usabilidade é a mestra em linguística Lígia Boareto na coluna 'CBN Papo Certo'
muito pouco
Quem analisa a frase e sua usabilidade é a mestra em linguística Lígia Boareto na coluna 'CBN Papo Certo'

Quem analisa a frase e sua usabilidade é a mestra em linguística Lígia Boareto na coluna ‘CBN Papo Certo’

Neste artigo, vamos desvendar o mistério da expressão “muito pouco”, frequentemente questionada por soar contraditória. Afinal, como algo pode ser muito e pouco ao mesmo tempo?

O Significado de “Muito Pouco”

A expressão “muito pouco” não é um erro gramatical, mas sim uma forma enfática de indicar uma pequena quantidade. O “muito” funciona como intensificador do “pouco”, similar a “pouquíssimo”. Assim, “muito pouco” equivale a uma quantidade extremamente reduzida.

Concordância Nominal em “Muito Pouco”

A chave para o uso correto de “muito pouco” está na concordância nominal. “Muito” permanece invariável, enquanto “pouco” concorda em gênero e número com o substantivo a que se refere. Por exemplo: “muito pouco arroz”, “muito pouca água”, “muito poucos carros”, “muito poucas pessoas”. O uso de “muita pouca” ou “muitos poucos” é incorreto.

Formas Sintética e Analítica

Como alternativa a “muito pouco”, existe a forma sintética “pouquíssimo”. Ambas são corretas, e a escolha entre elas depende do contexto e da preferência do falante. Em situações informais, “muito pouco” é mais comum. Já em contextos formais, “pouquíssimo” pode soar mais elegante.

Em resumo, a expressão “muito pouco” é gramaticalmente correta e amplamente utilizada, principalmente na linguagem oral. Sua compreensão exige atenção à concordância nominal e à distinção entre as formas analítica e sintética.

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