Prejuízos aos produtores do setor pode chegar até R$ 1,2 bilhões, segundo a ORPLANA; recuperação depende da melhora do clima
Os incêndios que atingem o interior do estado de São Paulo já consumiram pelo menos 250 mil hectares de cana-de-açúcar, Incêndios afetam ao menos 250 mil hectares de cana-de-açúcar no interior de São Paulo, segundo dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (UNICA). Esse número representa um aumento de cerca de 20 mil hectares em relação ao levantamento divulgado em 6 de setembro. A UNICA, que representa 35 associações e mais de 12 mil profissionais do setor sucroenergético, estima que os prejuízos para os produtores podem chegar a R$ 1,2 bilhão.
Estrutura de combate e situação atual dos incêndios
Desde o final de agosto, a UNICA e suas associadas disponibilizaram toda a estrutura de combate ao fogo das usinas de cana, incluindo mais de 1.500 caminhões-pipa e 10 mil colaboradores treinados para atuar no combate aos incêndios. O superintendente da Associação dos Fornecedores de Cana de Guariba, Rafael Calac, região bastante afetada, destacou que ainda existem focos ativos, e o mapa de risco da Defesa Civil indica situação de emergência no estado.
“Ainda temos alguns dias secos pela frente, com previsão de tempo seco até o final de setembro e início de outubro, o que facilita a propagação do fogo devido à baixa umidade, altas temperaturas e ventos fortes. Estamos em alerta máximo para prevenção e combate aos incêndios”, afirmou Rafael Calac.
Ele ressaltou que os incêndios têm causas diversas, incluindo criminosos intencionais e não intencionais, e fez um apelo para que a população denuncie focos de incêndio aos bombeiros pelo telefone 193 ou à Defesa Civil pelo 199.
Dados sobre os focos de incêndio e prejuízos: Em agosto, foram registrados 3.600 focos de incêndio, número recorde para o mês. Em setembro, até o momento, já foram contabilizados 1.785 focos, sendo 770 apenas entre os dias 11 e 13. Rafael Calac explicou que os prejuízos para o setor são de dois tipos:
- Cana inteira: a que estava pronta para colheita. Após o fogo, essa cana precisa ser colhida em até 2 a 3 dias para evitar perda de umidade, peso e qualidade, o que afeta a produção de açúcar e etanol.
- Cana na palhada: a que já havia sido colhida, em diferentes estágios de desenvolvimento, que sofreu danos na lavoura. Isso implica custos adicionais com tratos culturais, adubação, defensivos agrícolas e, em casos mais graves, replantio, que é o custo mais elevado na produção de cana.
O superintendente destacou que o impacto total para a safra do próximo ano ainda depende das condições climáticas, especialmente das chuvas no verão. Caso as condições não sejam favoráveis, pode ser necessário replantar áreas maiores do que o previsto inicialmente.
Impactos na safra e ações dos produtores
Apesar dos 250 mil hectares atingidos representarem cerca de 5% a 6 da área total de cana no estado, estimada em quase 4 milhões de hectares, os incêndios alteraram significativamente o andamento da safra. A cana queimada apresenta caldo mais sujo, o que reduz a produção de açúcar e aumenta a produção de etanol, modificando a programação das usinas.
Para os produtores afetados, o primeiro passo é comunicar a usina contratada sobre a queima da cana para que a colheita seja realizada o mais rápido possível. No entanto, as usinas não têm capacidade para colher toda a cana queimada dentro do prazo ideal, o que resulta em perdas de peso e qualidade, afetando a remuneração dos produtores.
“Após o incêndio, os produtores aguardam a normalização das chuvas para diminuir o risco de novos focos e iniciar os tratos culturais necessários. É um período de avaliação para decidir se é preciso replantar, fazer novos tratos ou roçar para que a planta rebrote”, explicou Rafael Calac.
O tempo que o fogo permanece na cana é determinante para o grau de dano: quanto mais rápido o fogo passar, menor o impacto; se o fogo permanece por mais tempo, pode causar a morte da planta.
Resposta do governo e perspectivas futuras: O governo do estado de São Paulo tem atuado com rapidez para apoiar os produtores, incluindo o anúncio de linhas de crédito para replantio e a criação de um gabinete de crise para coordenar as ações de combate aos incêndios. Esse gabinete reúne produtores, usinas e autoridades para trabalhar de forma integrada.
Além disso, o governo tem facilitado as investigações policiais para identificar as causas dos focos de incêndio, que ainda estão sendo apuradas.
“O governo tem mostrado boas intenções e agilidade, mas é fundamental continuar o trabalho conjunto para minimizar os prejuízos e evitar novos incêndios”, concluiu Rafael Calac.
Entenda melhor
- Os incêndios na cana-de-açúcar são agravados por condições climáticas adversas, como tempo seco, baixa umidade e ventos fortes.
- A cana queimada perde peso e qualidade, impactando a produção de açúcar e etanol e a remuneração dos produtores.
- O replantio da cana é o custo mais elevado na produção e depende das condições climáticas futuras.
- A colaboração entre produtores, usinas e governo é essencial para o combate aos incêndios e recuperação das áreas afetadas.



