Ana Fontes, empreendedora social e fundadora da Rede Mulher Empreendedora, comenta este cenário em entrevista à CBN Ribeirão
Dados recentes indicam que 73% das empreendedoras brasileiras têm filhos, 37% empreendedoras brasileiras que têm filhos, sendo que 37% são mães solo, ou seja, mulheres que criam os filhos sozinhas. Além disso, 68% dessas mulheres não eram empreendedoras antes de se tornarem mães, ingressando no empreendedorismo após a maternidade para desenvolver seus próprios negócios.
Desafios enfrentados por mulheres no mercado de trabalho
A empreendedora social Ana Fontes, 37% empreendedoras brasileiras que têm filhos, fundadora da Rede Mulher Empreendedora (RME), destaca que, mesmo em 2025, as mulheres ainda enfrentam dificuldades significativas para se manter no mercado de trabalho, especialmente as mães de filhos pequenos. Segundo ela, muitas mulheres são empurradas para o empreendedorismo não por escolha, mas por falta de acolhimento no ambiente corporativo, que frequentemente questiona a capacidade das mães de manterem sua produtividade.
Realidade do empreendedorismo feminino: Ana Fontes ressalta que o empreendedorismo não é uma tarefa fácil e que muitas vezes é glamorizado. Ela explica que empreendedoras precisam lidar com múltiplas funções, como vendas, divulgação e finanças, sem uma estrutura de apoio. Apesar dos desafios, o empreendedorismo feminino é fundamental para a economia brasileira, já que mais de 70% dos empregos são gerados por pequenos negócios, muitos deles liderados por mulheres.
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Rede Mulher Empreendedora: apoio e impacto: A Rede Mulher Empreendedora, criada em 2010 por Ana Fontes, é a maior rede de apoio a mulheres empreendedoras no Brasil, tendo impactado quase 9 milhões de pessoas. A rede oferece educação empreendedora, mentorias, grupos de conexão e microdoações que variam de dois a dez mil reais, sem necessidade de prestação de contas, para ajudar mulheres a desenvolver seus negócios. Ana conta que a iniciativa surgiu da dificuldade que ela mesma enfrentou ao empreender e da constatação de que muitas mulheres estavam isoladas e sem referências.
Perfil e necessidades das mulheres empreendedoras: A pesquisa anual da Rede Mulher Empreendedora revela que 61% das mulheres brancas têm ensino superior, contra 44% das negras e pardas. A maioria das mulheres empreende em busca de independência financeira, muitas vezes motivadas por dificuldades no trabalho, no relacionamento ou na criação dos filhos. A flexibilidade é apontada como a principal razão para o empreendedorismo feminino, uma demanda que não aparece entre os homens. Ana destaca que as mulheres ainda acumulam a maior parte das responsabilidades domésticas e de cuidado, o que reduz em média duas horas diárias o tempo dedicado aos negócios em comparação aos homens. Essa sobrecarga impacta a saúde mental e gera sentimentos de culpa materna.
Informações adicionais
A Rede Mulher Empreendedora oferece cursos presenciais e online, focados em capacitação técnica e habilidades socioemocionais, para apoiar mulheres a se desenvolverem no empreendedorismo. A organização reforça a importância de políticas e ações que promovam a inclusão e o apoio às mulheres no mercado de trabalho e no ambiente empreendedor.



