Médico Bernardino Souto fala dos avanços e das melhorias que devem ser implementadas no Programa Nacional de Imunizações
Neste artigo, comemoramos os 50 anos do Programa Nacional de Imunização (PNI), entrevistando o médico epidemiologista e professor da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Dr. Bernardino Soto.
Avanços do PNI: Uma História de Sucesso
O Brasil construiu um dos maiores sistemas de imunização do mundo, alcançando coberturas vacinais acima de 95% em diversas vacinas antes de 2016. Esse sucesso se traduz em proteção à saúde, aumento da expectativa de vida e redução da mortalidade infantil. O PNI é um sistema público e democrático, acessível a todos, independentemente de raça, cor ou poder econômico, representando um marco de equidade social.
A erradicação da poliomielite em 1989, após campanhas de vacinação, é um exemplo marcante dessa trajetória vitoriosa. A ampla capilarização do PNI, com milhões de postos de vacinação em todo o país, foi crucial para o controle da pandemia de Covid-19, garantindo a distribuição universal das vacinas.
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Desafios Atuais e o Futuro do PNI
Apesar dos avanços, o Brasil enfrenta atualmente o desafio de baixa cobertura vacinal, abrangendo diversas faixas etárias e imunizantes, incluindo a vacina bivalente contra a Covid-19. Essa situação preocupa, pois aumenta o risco do retorno de doenças erradicadas e de mortes evitáveis. Para reverter esse quadro, é necessário reinvestir em capital humano e financeiro, além de qualificar a logística e o pessoal envolvidos no PNI.
A autossuficiência na produção de vacinas é outro ponto crucial. O Brasil possui instituições de pesquisa e produção de vacinas como o Instituto Butantan e a Fiocruz, mas precisa de mais investimentos em ciência e pesquisa para garantir a produção local de todos os imunizantes, assegurando a soberania nacional na área da saúde.
Um Apelo à Vacinação
O Dr. Soto enfatiza a importância da vacinação para a saúde coletiva, desmistificando discursos antivacina sem base científica. Ele faz um apelo à população para que se informe em fontes confiáveis e se vacine completamente, seguindo os calendários vacinais recomendados. A vacinação é um pacto coletivo, e a adesão da maioria da população é fundamental para proteger a todos.



