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80% dos casos de violência sexual infanto-juvenil acontecem dentro de casa

Olímpio Barbosa de Moraes Filhos, médico ginecologista, comenta o assunto em entrevista à CBN Ribeirão
80% dos casos de violência sexual
Olímpio Barbosa de Moraes Filhos, médico ginecologista, comenta o assunto em entrevista à CBN Ribeirão

Olímpio Barbosa de Moraes Filhos, médico ginecologista, comenta o assunto em entrevista à CBN Ribeirão

A violência contra crianças e adolescentes é uma grave violação de direitos humanos e um problema de saúde pública reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Entre os tipos de violência, 80% dos casos de violência sexual, a sexual é a que mais preocupa, pois 80% dos casos ocorrem dentro das próprias casas das vítimas, geralmente praticados por parentes ou pessoas próximas.

Contexto e dados sobre a violência sexual

Segundo o médico ginecologista Olímpio Barbosa de Moraes Filho, vice-presidente da Regional da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia, a violência contra mulheres aumentou quase 100% nos últimos 13 anos, com registros oficiais de cerca de 82 mil casos, embora a estimativa real possa ser até dez vezes maior devido à subnotificação. No caso de crianças e adolescentes, a dificuldade em denunciar é ainda maior.

Perfil das vítimas e agressores: A maioria das vítimas são meninas (90%), mas meninos também são afetados (10%). Os agressores são frequentemente pessoas próximas, como padrastos, pais, tios ou namorados da mãe, e a violência ocorre em todas as classes sociais, embora seja mais comum em famílias vulneráveis, onde a falta de recursos e de creches contribui para a exposição das crianças.

Importância da escola e do Estado: A escola desempenha papel fundamental na identificação e proteção das vítimas, por meio de observação do comportamento e relatos das crianças. O Estado, por sua vez, deve oferecer acolhimento e garantir os direitos das vítimas, já que muitas vezes a rede familiar falha na proteção. Um caso emblemático citado ocorreu em Pernambuco, onde uma menina sofreu abusos reiterados pelo pai e, posteriormente, pelo avô, resultando em uma série de abortos espontâneos e filhos, e que evidenciou falhas do sistema de proteção.

Educação sexual como ferramenta de prevenção

Para minimizar a violência, é fundamental trabalhar a cultura de respeito ao corpo e à autonomia das mulheres desde cedo, com educação sexual adequada nas escolas e em outros espaços sociais. Essa educação deve abordar o que é carinho, sexo e abuso, ajudando a criança a identificar situações de risco. O médico ressalta que a educação sexual não incentiva a precocidade sexual, mas oferece conhecimento para prevenção de gravidez indesejada e violência.

Informações adicionais

Dados indicam que cerca de 14 mil meninas engravidam anualmente no Brasil, muitas vezes em decorrência de estupro. O acesso ao aborto legal é limitado, com estimativas de que apenas 3 a 400 casos sejam autorizados por ano. Os pais devem estar atentos ao que os filhos consomem nas telas e manter diálogo aberto sobre sexualidade para garantir proteção e prevenção.

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