Um bate-papo com Moacir Júnior, treinador do América-RN, ex-Botafogo-SP e Comercial
O programa “Nas Quatro Linhas”, A adaptação ao chegar em um, da CBN Ribeirão Preto, discutiu neste sábado os desafios enfrentados por treinadores que assumem clubes no meio da temporada, uma situação comum no futebol brasileiro. Moacir Jr., atual treinador do América-RN e com passagens pelo Comercial e Botafogo de Ribeirão Preto, participou do programa para explicar o processo de adaptação nessas circunstâncias.
Diagnóstico inicial e fases do trabalho
Ao assumir um clube durante a competição, Moacir Jr. destaca a importância de estabelecer fases no trabalho. O processo começa com a apresentação da comissão técnica, seguida pela avaliação qualitativa e quantitativa do elenco, e a definição de ações estratégicas para cada setor do time e do clube. Ele ressalta a necessidade de comunicação direta com os atletas, simplificação dos treinos e a busca por descomprimir o ambiente emocional do grupo, assumindo responsabilidades e evitando acomodação ou lamentações.
Comissão técnica e legado do antecessor: O treinador explica que normalmente pode levar dois profissionais de sua confiança, mas é fundamental avaliar e integrar os profissionais já presentes no clube para potencializar o trabalho. Além disso, Moacir Jr. enfatiza a importância de valorizar o trabalho do treinador anterior, reconhecendo seus acertos e evitando críticas que possam prejudicar o ambiente, já que o grupo estava adaptado àquele trabalho.
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Adaptação do modelo de jogo e calendário apertado: Moacir Jr. comenta que adaptar o modelo de jogo às características do elenco exige paciência, flexibilidade e diálogo constante, pois o treinador geralmente não participou da montagem do grupo. Ele destaca o desafio do calendário brasileiro, que oferece pouco tempo para treinos entre jogos, e a necessidade de objetividade nas atividades, utilizando feedbacks visuais para aproximar-se dos atletas e otimizar o aprendizado em curto prazo.
Desafios para a longevidade dos treinadores: Questionado sobre o principal desafio para que treinadores desenvolvam trabalhos de longo prazo, Moacir Jr. aponta um vácuo de comunicação entre o que o treinador faz e o que é percebido pelo público e imprensa. Segundo ele, esse descompasso faz com que análises sejam mais emocionais do que racionais. O treinador sugere maior transparência e aproximação entre treinadores, torcedores e imprensa, sem comprometer a privacidade, para melhorar a compreensão do trabalho técnico.
Entenda melhor
Assumir um clube no meio da temporada é uma prática frequente no futebol brasileiro, exigindo do treinador rápida adaptação técnica, tática e emocional. A comunicação clara com atletas e comissão, a valorização do trabalho anterior e a objetividade nos treinos são estratégias essenciais para enfrentar a pressão por resultados imediatos.