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A cada 16 segundos, um golpe de estelionato é cometido no Brasil

Dado foi apresentado no Anuário Brasileiro de Segurança Pública; Marco Aurélio Gritti fala da importância das políticas públicas
A cada 16 segundos
Dado foi apresentado no Anuário Brasileiro de Segurança Pública; Marco Aurélio Gritti fala da importância das políticas públicas

Dado foi apresentado no Anuário Brasileiro de Segurança Pública; Marco Aurélio Gritti fala da importância das políticas públicas

O anuário brasileiro de segurança pública divulgado em 18 de julho revela que, A cada 16 segundos, um golpe de estelionato é cometido no Brasil, em 2023, um golpe de estelionato foi cometido a cada 16 segundos no Brasil. Segundo dados do Fórum Nacional de Segurança Pública, foram registrados quase 2 milhões de casos dessa modalidade criminosa, representando um aumento de 8,2% em relação ao ano anterior. O crescimento desse tipo de crime tem sido constante desde 2018, acumulando alta de 360% em cinco anos.

Durante a pandemia da Covid-19, o estelionato tornou-se mais frequente do que os crimes de rua, que apresentaram queda de 10,8% entre 2022 e 2023. Em números absolutos, foram contabilizados 870.320 casos de roubos patrimoniais e mais de 1,9 milhão de golpes de estelionato no ano passado.

Distribuição regional e tipos de crimes de rua

O estado de São Paulo, o mais rico da federação, registrou o maior aumento nos casos de estelionato, com alta de 22,7% e mais de 750 mil ocorrências. Em relação aos crimes de rua, as maiores reduções ocorreram nos roubos a estabelecimentos comerciais (-18,8%) e residenciais (-17%). Outros tipos de roubos também apresentaram quedas: roubos a pedestres (-13,8%), roubos de cargas (-13%), de veículos (-12%) e de celulares (-10%).

Furtos e roubos de celulares: O anuário destaca uma mudança na forma preferida dos criminosos em relação aos celulares. Em 2023, houve mais furtos — quando não há ameaça à vítima — do que roubos, que envolvem violência ou grave ameaça. Estima-se que quase 1 milhão de celulares foram furtados ou roubados no Brasil no ano passado.

“A mudança de estratégia dos criminosos para o furto, um crime menos grave, pode estar relacionada à pena menor e à menor probabilidade de prisão”, explica Michael Aurelio Gritte, especialista em segurança pública. Ele destaca que a pena mínima para roubo é de quatro anos, enquanto para furto é de um ano, o que pode influenciar a escolha dos criminosos.

“Além disso, o furto de celulares pode ocorrer em aglomerações, aproveitando momentos de distração das vítimas”, acrescenta. Gritte ressalta a importância do estudo desses dados para que o poder público compreenda a dinâmica da violência e direcione políticas eficazes.

Entrevista com especialista em segurança pública:

Desafios no combate ao estelionato: O especialista observa que o Brasil tem se destacado negativamente no número de golpes eletrônicos, que são a principal forma de estelionato atualmente. Esses golpes são aplicados principalmente por meio de comunicação eletrônica, sem contato direto com a vítima, e envolvem estratégias para induzir as pessoas a transferirem dinheiro ou fornecerem dados pessoais.

“Em 2019, houve uma mudança na legislação que tornou o estelionato uma ação pública condicionada à representação, ou seja, a vítima precisa manifestar interesse em processar o autor do crime, o que dificulta a atuação policial”, explica Gritte. Ele afirma que essa alteração legal facilita a ação dos criminosos e contribui para o aumento dos casos.

Complexidade do combate ao crime virtual: Gritte destaca que o crime virtual é mais difícil de combater do que o presencial, pois ocorre dentro de residências e locais de trabalho, onde a prevenção policial é limitada. Ele também aponta que idosos são alvos frequentes desses golpes devido ao menor conhecimento em informática e maior confiança nas pessoas.

“É fundamental que as vítimas registrem os crimes para alimentar os sistemas de inteligência e auxiliar as forças policiais a dificultar a ação dos criminosos”, recomenda o especialista.

Informações adicionais

O anuário brasileiro de segurança pública é uma ferramenta importante para que governantes em todas as esferas possam entender a dinâmica da violência e desenvolver políticas públicas eficazes para a segurança. A participação ativa da população no registro dos crimes é essencial para o aprimoramento das estratégias de combate ao crime.

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