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A CBF e a história política do futebol brasileiro

A CBF e a história política do futebol brasileiro
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A CBF e a história política do futebol brasileiro

A CBF e a história política do futebol brasileiro

Bom dia a todos que acompanham a CBN Ribeirão Preto! Sejam bem-vindos ao ‘Nas Quatro Linhas’, nosso encontro semanal para um bate-papo sobre os temas mais relevantes do futebol. Hoje, vamos mergulhar na interseção entre futebol e política, com foco na Confederação Brasileira de Futebol (CBF).

A História e Estrutura da CBF

Para entendermos melhor a CBF, sua formação e as características estruturais que a marcaram historicamente, convidamos Breno Carlos da Silva, doutor em Ciências Sociais pela UNESP e membro do LabPol. Breno é autor da tese ‘O pior cego é aquele que só vê a bola: os cartolas da CBF e a confusão público-privada no Brasil’, e suas pesquisas se concentram no pensamento social brasileiro e na sociologia do futebol.

A CBF, desde sua origem como Confederação Brasileira de Desportos (CBD) até a mudança institucional em 1979, tem sido palco de uma dinâmica estrutural complexa. Essa dinâmica envolve presidentes, dirigentes e a ‘nata’ da cartolagem, caracterizada por um modus operandi oligárquico, antipopular e, frequentemente, corrupto.

Escândalos e Centralização de Poder

Recentemente, a CBF enfrentou a saída de Edinaldo Rodrigues, ex-presidente, devido a casos de corrupção e uso indevido de recursos. A chegada de Samir Shaldi, com pouca experiência no futebol brasileiro, levanta questões sobre a continuidade das práticas questionáveis. Essa situação não é inédita, mas reflete uma dinâmica estrutural que permeia a história da entidade.

Nomes como João Havelange, Ricardo Teixeira, José Maria Marin, Marco Polo Del Nero e Rogério Caboclo, todos ex-presidentes da CBF, estiveram envolvidos em escândalos de corrupção, processos e condenações. Essa série de eventos demonstra um padrão de apropriação indevida de recursos e manipulação dos processos eleitorais, prejudicando a paixão nacional.

O Alinhamento das Federações e Clubes

As federações e clubes costumam demonstrar um alinhamento quase automático com a CBF, resultado de uma dinâmica estrutural consolidada ao longo das décadas. A mudança no estatuto de 2017 reforçou esse alinhamento, estabelecendo critérios de votação com pesos diferentes. Os clubes da Série B têm peso 1, os da Série A têm peso 2, enquanto as 27 federações têm peso 3. Esse sistema eleitoral favorece as federações, que, por sua vez, estão frequentemente alinhadas com a CBF devido ao financiamento que recebem.

Iniciativas de democratização da CBF enfrentam resistência por parte da cartolagem, que se beneficia do sistema vigente. A transparência nos processos, a denúncia de irregularidades e a inclusão de novos atores são essenciais para alterar essa configuração de poder.

Democratização e o Futuro da CBF

Democratizar a CBF é um desafio complexo, mas necessário. Inspirando-se em modelos como o da Alemanha, onde uma intervenção estatal transformou a federação e o campeonato nacional, é preciso buscar caminhos para tornar o processo decisório mais transparente e inclusivo. A pressão política, exercida por torcedores, imprensa e outros agentes do futebol, é fundamental para impulsionar essa mudança.

A gestão dos clubes também enfrenta desafios semelhantes, com um pequeno grupo de conselheiros detendo o poder. Democratizar os processos decisórios e politizar a discussão, no sentido de priorizar o interesse público e coletivo, são passos importantes para fortalecer o futebol brasileiro.

Embora as Sociedades Anônimas do Futebol (SAF) sejam vistas por alguns como uma solução para os problemas do futebol brasileiro, é preciso cautela. Profissionalizar a gestão, responsabilizar os dirigentes e buscar modelos que preservem a identidade e a ligação com a comunidade são aspectos cruciais a serem considerados.

A criação de uma liga para gerir os campeonatos brasileiros da Série A e B pode ser um caminho interessante, desde que se superem as questões políticas e se priorize o interesse dos clubes e torcedores. A experiência de outros países pode servir de inspiração para essa iniciativa.

Em suma, a transformação do futebol brasileiro passa pela democratização das instituições, pela transparência nos processos e pela valorização da paixão e do pertencimento à comunidade.

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