Você sabia que algumas aranhas “perdem” as pernas? Esse fato curioso está sendo estudado em detalhes pela bióloga Lina Almeida
Neste episódio do podcast Sons da Terra, produzido em parceria com a CBN, a repórter Ananda conversa com a bióloga Lina Almeida, especialista em aranhas e pós-doutoranda na Unicamp. Lina compartilha sua trajetória, iniciada aos 12 anos com a coleta de aranhas para uma coleção escolar. A observação da teia perfeita e a existência de espécies sem nome científico despertaram nela a paixão pela ciência.
Das Aranhas Urbanas à Sistemática
Seu estudo começou com a observação de aranhas urbanas em Salvador, mapeando sua presença em bairros antigos e novos. Lina descobriu que muitas espécies estavam colonizando áreas urbanas, algumas tornando-se tão associadas ao ambiente humano que é difícil rastrear sua origem. A partir daí, ela se aprofundou na sistemática, aprendendo a identificar e descrever novas espécies de aranhas. Com mais de 52 mil espécies descritas até o momento, e novas sendo descobertas diariamente, a tarefa de classificação é um desafio constante.
A Autotomia em Aranhas: Uma Descoberta Inédita
Atualmente, Lina se dedica ao estudo da autotomia em aranhas – a capacidade de perder pernas como mecanismo de defesa. Ela descobriu que a perda de pernas ocorre em locais específicos do corpo do aracnídeo, dependendo da espécie. A pesquisadora identificou estruturas anatômicas que facilitam esse processo, como uma espécie de “chave e fechadura” na região da coxa, permitindo o destacamento da perna de forma rápida e eficiente. A regeneração da perna é possível enquanto a aranha ainda estiver em fase de crescimento e muda.
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A Importância da Pesquisa Detalhada
A pesquisa de Lina, além de curiosa, tem implicações importantes para a ciência. O estudo da autotomia em aranhas pode fornecer insights sobre vias de sinalização e mecanismos moleculares relevantes para outras áreas, inclusive estudos com humanos sobre dor em membros fantasmas e estresse pós-traumático. A identificação de espécies, por meio de recursos como o iNaturalist e o Google Lens, também facilita o acesso da população a informações sobre esses animais, muitas vezes incompreendidas e temidas.