Um bate-papo com Ana Paula Oliveira, Marcos Vinícius Beck e Moacir Júnior
A evolução do futebol brasileiro foi o tema central do programa ‘Nas Quatro Linhas’, da CBN Ribeirão Preto. Para discutir o assunto, foram convidados Marcos Vinicius Beck (ex-presidente da Associação Brasileira de Executivos de Futebol), Moacir Júnior (treinador de futebol e membro da Associação Brasileira de Treinadores de Futebol), e Ana Paula Oliveira (ex-árbitra e membro do comitê organizador da Copa do Mundo de Futebol Feminino de 2027).
Desafios na Gestão de Clubes
Marcos Vinicius Beck apontou o imediatismo em busca de resultados esportivos como o principal obstáculo para projetos de longo prazo nos clubes brasileiros. A gestão amadora do passado, com múltiplos conselhos e a pressão por resultados imediatos, levam à rotatividade de atletas e treinadores, onerando os cofres dos clubes e comprometendo sua saúde financeira. A chegada de SAFs e novos investidores trouxe uma mudança de cenário, mas os problemas de gestão temerária e contratos mal feitos ainda persistem.
A Perspectiva dos Treinadores
Moacir Júnior destacou a falta de regulamentação e respeito aos contratos de trabalho no Brasil como um fator que impede projetos de longo prazo para os treinadores. A cultura de culpar o treinador após poucas rodadas e a falta de uma cultura de respeito aos contratos, diferentemente do que se observa na Europa e em outros países da América Latina, são apontadas como entraves. Ele também comentou sobre as críticas à capacitação dos treinadores brasileiros após o 7 a 1, argumentando que, desde então, houve uma melhora significativa na formação e organização dos profissionais, com a criação de cursos de capacitação e a troca de experiências com treinadores internacionais.
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Arbitragem: Formação e Consistência
Ana Paula Oliveira enfatizou a qualidade individual de alguns árbitros brasileiros, mas apontou a necessidade de maior consistência e uniformidade de critérios entre eles. Ela destacou a importância de lidar com a pressão e a necessidade de um trabalho educacional com jogadores, treinadores e dirigentes para reduzir o excesso de faltas e paralisações do jogo. A extinção da Escola Nacional de Arbitragem, um projeto inovador que visava a uniformidade da arbitragem em todo o país, foi lamentada por Ana Paula, que defendeu a importância da formação continuada e da uniformização dos cursos de arbitragem em todo o Brasil. Ela também ressaltou a necessidade de uma formação abrangente, que inclua aspectos socioculturais, psicológicos e linguísticos.
A discussão sobre a formação de profissionais em todas as áreas do futebol – gestão, treinadores e arbitragem – e a importância de um ambiente mais respeitoso e menos hostil para a evolução do esporte foram os pontos principais do debate. A pressão excessiva sobre árbitros e a cultura de culpar a arbitragem por resultados negativos foram apontadas como fatores que prejudicam o desenvolvimento do futebol brasileiro. A profissionalização da arbitragem e uma mudança de cultura por parte de jogadores, treinadores e dirigentes são vistas como cruciais para um futebol brasileiro mais competitivo e justo.