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A experiência de treinadores jovens em divisões inferiores do Brasil

Um bate-papo com os treinadores João Burse e Lucas Isotton (Mixto-MT)
A experiência de treinadores jovens em
Um bate-papo com os treinadores João Burse e Lucas Isotton (Mixto-MT)

Um bate-papo com os treinadores João Burse e Lucas Isotton (Mixto-MT)

O programa “Nas Quatro Linhas”, A experiência de treinadores jovens em, da CBN Ribeirão Preto, trouxe um debate sobre a experiência de treinadores jovens e em ascensão nas divisões inferiores do futebol brasileiro. O foco foi compreender os desafios enfrentados por esses profissionais que iniciam suas trajetórias em equipes principais de divisões inferiores, onde os recursos e estruturas são limitados.

Formação e estruturação do staff técnico

João Burce, que treinou o Botafogo da Paraíba e tem experiência em categorias de base do Palmeiras, A experiência de treinadores jovens em, destacou a importância da análise de desempenho e a necessidade de adaptação às condições dos clubes. Ele relatou que, no Cianorte, ajudou a estruturar o departamento de análise, que inicialmente contava com poucos recursos, como um drone e computadores adquiridos com investimento próprio. Atualmente, trabalha com um auxiliar e um preparador físico, buscando sempre integrar a análise do desempenho adversário e do próprio time.

Lucas Isotom, com passagem por clubes como Botafogo da Paraíba, Cuiabá e Santa Cruz, explicou que seu staff é composto por um auxiliar técnico, uma analista de desempenho e um treinador de goleiros que também participa da análise do setor defensivo. Ele ressaltou o uso de tecnologias como plataformas de scouting, drones e softwares para análise em tempo real, equipamentos adquiridos pela comissão técnica para garantir maior autonomia diante das limitações financeiras dos clubes.

Adaptação do modelo de jogo ao elenco e desenvolvimento dos atletas: Ambos os treinadores enfatizaram a necessidade de adaptar o modelo de jogo às características do elenco disponível. Lucas Isotom destacou a busca por jogadores que se encaixem no estilo desejado, mas também a importância de respeitar a identidade do clube, a torcida e as peculiaridades regionais. Ele ressaltou a valorização de atletas locais e daqueles que já conhecem o modelo de jogo para minimizar erros nas contratações.

João Burce afirmou que o treinador deve ser flexível e potencializar as qualidades dos jogadores, mesmo quando não é possível montar o elenco ideal. A experiência acumulada na base e em diferentes contextos ajuda a desenvolver os atletas e ajustar o modelo conforme as características do grupo.

Quanto ao desenvolvimento individual, Lucas Isotom afirmou que, devido às limitações orçamentárias e à curta duração das temporadas nas divisões inferiores, o trabalho de aprimoramento dos atletas é fundamental. Ele ressaltou que sua principal motivação é contribuir para a evolução técnica, tática e pessoal dos jogadores, deixando um legado para suas carreiras.

João Burce complementou que mantém um banco de dados atualizado com atletas que já treinou nas categorias de base, monitorando suas trajetórias para facilitar futuras contratações, especialmente em contextos de orçamento reduzido.

Infraestrutura, gramados e uso de tecnologia

Sobre as condições dos gramados, Lucas Isotom destacou que a qualidade dos campos de treinamento e jogo é essencial para o desenvolvimento do futebol, mas que nas divisões inferiores há grande variação e dificuldades. Ele ressaltou a necessidade de adaptação do modelo de jogo conforme o gramado disponível e criticou a falta de investimentos direcionados para melhorar essas condições.

João Burce relatou a experiência no Cianorte, onde o estádio tinha gramado diferente do centro de treinamento, o que exigia adaptações táticas. Após a troca do gramado do estádio, foi possível equilibrar o estilo de jogo com as condições do campo.

Ambos os treinadores ressaltaram que, apesar das limitações, buscam se adaptar e utilizar os recursos disponíveis da melhor forma possível. Lucas Isotom comentou que sua comissão técnica investiu em equipamentos próprios para garantir qualidade no trabalho de análise, enquanto João Burce destacou a importância da experiência para lidar com diferentes realidades.

Contribuição para a estruturação dos clubes: João Burce contou que, em sua passagem pelo Cianorte, ajudou a criar o departamento de análise de desempenho, iniciando com poucos recursos e colaborando para o crescimento da área. Em outros clubes, busca reforçar equipes técnicas com profissionais especializados, como analistas de mercado e cinegrafistas, conforme os recursos disponíveis.

Lucas Isotom explicou que realiza diagnósticos e elabora relatórios para a direção dos clubes, indicando prioridades para investimentos em infraestrutura e estruturação, especialmente em clubes com donos de SAF. Ele ressaltou a importância de alinhar resultados esportivos com melhorias estruturais para garantir sustentabilidade.

Panorama

João Burce e Lucas Isotom concordam que a organização e as condições estruturais dos clubes são fundamentais para o sucesso do trabalho do treinador. Eles destacam que o êxito depende de uma divisão equilibrada de responsabilidades e da participação de todos os setores do clube no projeto esportivo. A falta de infraestrutura e organização pode aproximar os clubes da derrota, enquanto o investimento e o planejamento aumentam as chances de conquistas.

O programa reforça a importância de conhecer o futebol das divisões inferiores, onde treinadores jovens enfrentam desafios diários e muitas vezes investem recursos próprios para qualificar seu trabalho. Essas experiências revelam as soluções criativas adotadas para superar limitações e contribuir para o desenvolvimento do futebol brasileiro.

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