Um bate-papo com o diretor esportivo Diogo Boa Alma e com o treinador Sérgio Vieira
O programa “Nas Quatro Linhas”, A formação da escola portuguesa de treinadores, da CBN Ribeirão Preto, dedicou sua edição à análise da escola portuguesa de formação de treinadores, destacando suas características e impactos no futebol. Participaram da discussão o treinador português Sérgio Vieira e o diretor esportivo Diogo Boa-Alma, que abordaram aspectos como a formação multidisciplinar, a revolução na metodologia de ensino, a experiência portuguesa no Brasil e os desafios enfrentados na carreira de treinador.
Formação detalhada e multidisciplinar: Sérgio Vieira ressaltou que a escola portuguesa de treinadores é reconhecida pelo alto grau de detalhamento e especialização no processo de treinamento. Segundo ele, essa formação envolve diversas áreas do conhecimento, incluindo psicologia, neurologia, filosofia, biomecânica, tecnologia e clínica, o que contribui para um desenvolvimento rigoroso tanto do trabalho individual quanto coletivo dos atletas. Vieira destacou que essa abordagem aprofundada vem sendo aplicada há décadas em Portugal, o que resulta em treinadores capacitados para atuar de forma integrada e estratégica.
Revolução e diversidade na formação: Diogo Boa-Alma comentou que, a partir do início do século XXI, a formação de treinadores em Portugal passou por uma revolução significativa, impulsionada por figuras como José Mourinho. Mourinho foi o primeiro grande treinador português formado na faculdade, sem ter sido jogador profissional de destaque, o que marcou uma mudança no perfil dos técnicos. Boa-Alma enfatizou que a comissão técnica portuguesa é multidisciplinar, combinando conhecimentos empíricos e científicos. Além disso, destacou a diversidade entre os treinadores, especialmente na gestão de grupos e na adaptação de modelos de jogo, o que contribui para uma escola plural e flexível.
Experiência no Brasil e adaptação: Sérgio Vieira compartilhou sua experiência como treinador em equipes brasileiras, incluindo Guaratinguetá, Ferroviária, América Mineiro e São Bernardo. Ele relatou que introduziu no Brasil conceitos táticos e metodológicos inovadores para os jogadores locais, como a defesa com linha alta e o uso constante de análise por vídeo para correção e desenvolvimento. Vieira salientou a capacidade dos treinadores portugueses de se adaptarem a diferentes contextos e realidades, considerando as especificidades do calendário e da competição brasileira, o que demonstra flexibilidade e conhecimento estratégico.
Estabilidade e desafios na carreira de treinador
Diogo Boa-Alma abordou a questão da alta rotatividade de treinadores tanto em Portugal quanto no Brasil, que dificulta a estabilidade necessária para o desenvolvimento de trabalhos de médio prazo e para a consolidação de uma escola de treinadores. Ele atribuiu essa situação à fragilidade das estruturas dos clubes e à falta de profissionalização na gestão esportiva. Boa-Alma ressaltou a importância de maior organização e da criação de oportunidades para novos treinadores, visando fortalecer a carreira e garantir a continuidade dos projetos técnicos.
Entenda melhor
A escola portuguesa de treinadores valoriza a formação acadêmica aliada à experiência prática, com ênfase na multidisciplinaridade e na constante atualização. A adaptação ao contexto e a capacidade estratégica são consideradas competências essenciais, além dos aspectos técnico-táticos e metodológicos. A experiência de treinadores portugueses no Brasil evidencia a introdução de novas práticas e a importância da análise detalhada para o desenvolvimento dos atletas e das equipes.