A exclusão da Ponte Preta do Programa de Apoio à Reestruturação Financeira (PARF), criado pela CBF para os clubes da Série B do Brasileiro, movimentou os bastidores da competição. A decisão foi anunciada pela Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (ANRESF) e representa a primeira punição prática aplicada dentro das novas regras de fair play financeiro adotadas pela entidade.
O programa garante aos participantes o custeio de despesas como arbitragem, viagens e hospedagens durante a disputa da Série B. Para ter acesso ao benefício, os clubes precisam manter em dia salários, encargos trabalhistas e recolhimentos previdenciários de atletas, comissão técnica e funcionários, além de não apresentar atrasos em pagamentos relacionados a transferências de jogadores realizadas na atual temporada.
Segundo a ANRESF, a Ponte Preta não cumpriu os critérios exigidos e acabou excluída do programa.
Custos passam para o clube
Com a decisão, a Ponte Preta passa a assumir integralmente todas as despesas de logística e arbitragem da competição. Além disso, terá de ressarcir a CBF pelos valores já desembolsados desde o início da Série B até a data da exclusão.
A entidade informou que continuará realizando a logística necessária para as partidas, mas enviará mensalmente ao clube as cobranças referentes aos custos, que deverão ser quitadas em até dez dias úteis.
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O regulamento também prevê retenção de cotas de transmissão, premiações e outras sanções em caso de inadimplência.
“Ferramenta que vai salvar o futebol”
Representante do Conselho Nacional de Clubes da Série B e presidente do Conselho de Administração da Botafogo SA, Adalberto Batista, falou em entrevista exclusiva à CBN Ribeirão sobre a aplicação da punição e apontou que a medida fortalece a credibilidade do sistema.
“O fair play é a ferramenta que vai salvar o futebol brasileiro. A gente tem que dar todo apoio às punições que vierem. Todos os clubes tiveram a oportunidade de se regularizar e estar em dia. Tem que parabenizar, porque senão vira mais uma lei que não pega.”
Segundo Baptista, a criação da ANRESP já representava um marco importante, mas a efetiva aplicação das penalidades demonstra que as novas regras serão cumpridas.
“A aplicação das punições agora é que vai fazer com que todos passem a acreditar que a coisa vai efetivamente acontecer.”
Ponte tenta reverter situação
Até o momento, a Ponte Preta não divulgou posicionamento oficial sobre a exclusão. No entanto, informações apuradas pela CBN Campinas indicam que a diretoria já teria encaminhado comprovantes de regularização de parte das pendências salariais e pretende solicitar o retorno ao programa.
A medida ocorre em meio a um cenário delicado dentro e fora de campo. A equipe campineira ocupa a zona de rebaixamento da Série B e enfrenta dificuldades financeiras há várias temporadas.
A expectativa agora é que o caso sirva como referência para os demais clubes da competição e marque o início de uma fiscalização mais rigorosa sobre a saúde financeira das equipes do futebol brasileiro.



