Antônio Marco, coordenador do Supera Parque Educa, comenta o assunto no ‘CBN Tecnovação’
O Superaparque Tecnológico de Ribeirão Preto promove o programa Supera Educa, A importância da diversidade no mundo, que visa incentivar a formação de pessoas capazes de transformar suas realidades por meio do empreendedorismo, com foco em inovação, criatividade, inclusão e valorização do afroempreendedorismo.
Antônio Marco, coordenador do Supera Educa, explica que a iniciativa busca democratizar o acesso ao conhecimento empreendedor para adultos, jovens e crianças, plantando a “sementinha do empreendedorismo” para formar futuros líderes e empreendedores.
Afroempreendedorismo e desigualdades: O conceito de afroempreendedorismo é apresentado como um movimento de apoio à criação, gestão e desenvolvimento de negócios liderados por pessoas pretas e pardas, com foco na geração de renda, empoderamento econômico e transformação social da comunidade negra. Dados indicam que o rendimento de empreendedores negros é 32% inferior ao de empreendedores brancos, e a diferença chega a 74% quando comparado ao rendimento de mulheres negras com homens brancos. Além disso, 41% dos donos de negócios negros possuem apenas ensino fundamental, contra 28% entre os brancos.
Leia também
Esses dados evidenciam a insegurança e a menor preparação de jovens negros para empreender, reduzindo suas oportunidades. O afroempreendedorismo surge como resposta à exclusão do mercado formal e como instrumento de resistência e autonomia financeira, valorizando a identidade negra e incentivando o consumo entre a população negra, conhecido como “black money”.
Perfil, desafios e oportunidades dos afroempreendedores
O perfil predominante é de mulheres negras que atuam principalmente no empreendedorismo por necessidade, criado para garantir renda mínima à família. Entre os desafios enfrentados estão o baixo acesso a capital e crédito formal, maior rejeição de crédito em comparação a empreendedores brancos, racismo estrutural, ausência de políticas públicas afirmativas, invisibilidade na mídia, falta de representatividade e carência de mentorias sensíveis à realidade negra.
Como oportunidades, há crescimento de redes de apoio, incentivo ao consumo consciente e valorização da cultura afro por meio de produtos e serviços que refletem a identidade negra. Um exemplo é o projeto Potência Negra, do Sebrae em São Paulo, que oferece trilhas de aprendizagem e palestras sobre gestão, vendas e finanças para empreendedores negros.
Eventos e ações no Superaparque: No dia 26 de junho, o Superaparque realizará uma palestra aberta à comunidade sobre letramento racial, com a professora e mentora Simone Mota. O tema “Desaprendendo o óbvio: introdução ao letramento racial” visa provocar reflexões sobre o racismo estrutural naturalizado no cotidiano, nas empresas, nas falas e nas escolhas, promovendo justiça social e revisão de narrativas.
Em atrássto, está prevista uma roda de conversa com afroempreendedores, incluindo incubados do parque tecnológico, para troca de experiências e inspiração. As atividades são abertas à comunidade, e mais informações podem ser encontradas nas mídias sociais do Superaparque.