No Dia da Consciência Negra, especialista fala sobre o cenário atual e aponta caminhos para a mudança
Em 20 de novembro de 2019, Dia da Consciência Negra, a CBN discutiu a importância da igualdade racial no mercado de trabalho brasileiro. Dados do Instituto Etus revelaram que, apesar de negros representarem 58% dos aprendizes e estagiários nas 500 maiores empresas do país, apenas 6% ocupam cargos de gerência, e 4% posições executivas.
Desigualdade Racial e o Impacto nos Negócios
Luana Genoá, fundadora e diretora executiva do Instituto Identidades do Brasil, explicou que a promoção da igualdade racial não é apenas uma questão de justiça social, mas também um fator crucial para o desenvolvimento econômico do país. Estudos demonstram que empresas que investem em diversidade e igualdade racial crescem até 35% mais do que as concorrentes. A falta de representatividade negra impacta na retenção de talentos, aumenta a rotatividade e limita a capacidade das empresas de entender e atender seu público, que é majoritariamente negro.
A Necessidade de Dados e Ações Afirmativas
Genoá destacou a necessidade de as empresas coletarem dados desagregados (por gênero, raça, deficiência etc.) para entender sua composição interna e identificar as reais barreiras à inclusão. O Instituto Identidades do Brasil trabalha com ações afirmativas para corrigir a cultura corporativa que, muitas vezes, exclui profissionais negros, seja por meio de piadas, tratamento desigual ou preconceito velado. A especialista enfatizou que a inclusão não se trata de baixar a régua, mas de olhar intencionalmente para os talentos negros, reconhecendo sua qualificação e potencial.
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A Importância da Liderança Negra
A baixa representação de negros em cargos de liderança (apenas 5% nas 500 maiores empresas, e menos de 1% de mulheres negras) demonstra uma grande desigualdade. A presença de líderes negros é fundamental para criar modelos aspiracionais para a população negra e para que as empresas consigam se conectar melhor com seu público. A falta de inclusão representa a subutilização de metade do potencial de talentos do país.
A repórter Gabriela Dias compartilhou suas experiências pessoais de exclusão em ambientes profissionais e sociais, reforçando a importância da conscientização e da luta por igualdade racial como uma causa para todos, não apenas para o mês de novembro. A discussão ressalta a urgência de ações efetivas para promover a igualdade racial no mercado de trabalho brasileiro, impulsionando o desenvolvimento econômico e social do país.



