Caso de pai que virou mesa enquanto conversava com diretora reacende debate importante sobre educação e violência escolar
Um episódio de violência ocorrido em uma escola municipal na zona leste de Ribeirão Preto ganhou repercussão após um pai, A importância da integração entre família e escola na resolução de problemas como o bullying, indignado com supostas agressões sofridas pelo filho, ter virado uma mesa e arremessado uma cadeira contra um computador durante uma conversa com a diretora da instituição. O caso aconteceu na quinta-feira pela manhã na Escola Municipal de Ensino Fundamental Professor Doutor Waldemar Roberto.
O homem, que preferiu não se identificar, afirmou que seu filho de 8 anos vinha sendo vítima de bullying e agressões físicas dentro da escola. Segundo ele, na quinta-feira, foi a décima vez que solicitou providências à direção da unidade, mas não obteve resposta satisfatória. O pai relatou que a diretora teria pedido que ele procurasse os pais da criança supostamente agressora para resolver a situação, o que o deixou irritado e motivou sua reação.
“Ele chega roxo em casa, com olhos machucados, com galo na cabeça. Questionei a direção e ela pediu para que eu entrasse em contato com os pais para resolver fora da escola, dizendo que não poderia resolver naquele momento. Achei injusto e me exaltei”, declarou o pai.
O vídeo do momento da confusão foi registrado por câmeras de segurança da escola. A diretora não sofreu ferimentos. Após o incidente, o homem foi levado à delegacia, onde pagou uma fiança de R$ 1.400 e responderá em liberdade por dano ao patrimônio público.
Em entrevista, o pai afirmou estar arrependido pela atitude, mas ressaltou que até o momento da entrevista a escola não havia entrado em contato para resolver o problema do bullying. Ele também relatou que o filho está com medo de retornar às aulas.
“Até atrásra ninguém entrou em contato comigo para solucionar o problema. Me sinto como o vilão dessa história, mas ninguém viu o que passamos em casa”, afirmou.
Reação da Secretaria de Educação: A Secretaria da Educação de Ribeirão Preto divulgou nota lamentando o ocorrido e repudiando qualquer ato de violência. A pasta informou que todas as medidas administrativas e criminais serão tomadas. Sobre a denúncia do pai, a secretaria afirmou que a direção da escola foi procurada duas vezes, o que contraria a alegação do homem, e que ele foi orientado sobre a apuração do caso.
Análise de especialistas: O professor Sérgio Codato, especialista em psicologia social e docente da USP, avaliou que o episódio evidencia o despreparo da escola para lidar com casos de bullying e conflitos entre pais e a instituição.
“A escola deveria, na primeira queixa, convocar as partes envolvidas, buscar negociação e chamar os pais. Quando isso não acontece, os problemas se agravam e podem levar a episódios de violência”, afirmou.
Codato destacou que a banalização da violência e a falta de empatia da escola contribuem para um ambiente tenso e vulnerável, comparando o clima a uma “guerra”.
O professor José Eduardo de Oliveira, mestre em educação e doutor em saúde pública, também comentou o caso, ressaltando a complexidade da relação entre escola e família na atualidade.
“A educação depende da parceria entre escola, família e comunidade. Infelizmente, essa relação está fragilizada, o que dificulta a resolução de conflitos e o acompanhamento do desenvolvimento dos alunos”, explicou.
Ele apontou que a desvalorização do papel do professor e da escola, associada à terceirização da educação pelas famílias, contribui para o distanciamento entre as instituições e o aumento dos problemas nas escolas.
O professor ressaltou que a aproximação entre família e escola é fundamental para o sucesso educacional e para evitar situações como a ocorrida em Ribeirão Preto.
Contexto e desafios: Segundo José Eduardo de Oliveira, a relação entre escola e família já foi mais próxima, especialmente nas décadas de 1980 e 1990, quando os pais participavam mais ativamente do acompanhamento escolar dos filhos. Atualmente, a desconfiança e a falta de diálogo têm aumentado, prejudicando o ambiente educacional.
O especialista também destacou que o problema não é exclusivo da rede pública, mas é mais latente nela devido a fatores socioeconômicos e culturais. Ele enfatizou a importância de valorizar a educação para garantir melhores condições de trabalho e qualidade de vida para os cidadãos.
Medidas recomendadas: Para melhorar a situação, o professor sugeriu que as escolas promovam maior participação das famílias por meio de eventos e reuniões, facilitando o conhecimento mútuo e o diálogo. Além disso, destacou a necessidade de as famílias acompanharem o desempenho escolar dos filhos e colaborarem com a escola, evitando a terceirização completa da educação.
Ele também ressaltou a importância de uma reflexão social mais ampla sobre o papel da educação e a valorização dos profissionais da área para fortalecer o sistema educacional e prevenir conflitos.
Entenda melhor
O bullying é uma forma de violência que pode causar danos físicos e emocionais às vítimas, afetando seu desempenho escolar e bem-estar. A atuação conjunta da escola, família e comunidade é fundamental para identificar, prevenir e combater essas situações, garantindo um ambiente seguro e acolhedor para os estudantes.



