João Tubero fala com Marcelo Lima, gerente geral do Desportivo Brasil, sobre a formação de jovens atletas em clubes brasileiros
O programa Nas Quatro Linhas, da CBN Ribeirão Preto, debateu as categorias de base do futebol brasileiro, com a participação de Marcelo Lima, gerente geral do Esportivo Brasil.
A função do coordenador técnico
Marcelo Lima explicou que a função de coordenador técnico varia de clube para clube, dependendo da cultura e estrutura de cada instituição. Em alguns clubes, a função é mais ampla, envolvendo todos os aspectos da gestão técnica, desde a legislação até o contato com a gerência de futebol. Em outros, a função é mais específica, com diferentes cargos de coordenação, como o geral, o metodológico e o técnico em campo. Independentemente da estrutura, o coordenador deve respeitar a cultura do clube e nortear todos os processos a partir do modelo de jogo definido.
Formação do atleta: modelo de jogo x variedade de experiências
O programa discutiu dois modelos de formação de atletas: um que prioriza um modelo de jogo definido desde a base até o profissional, e outro que expõe o atleta a diferentes modelos. Marcelo Lima destacou que a melhor abordagem depende do plano estratégico de cada clube. No Esportivo Brasil, por exemplo, a missão é formar atletas para o mercado internacional, o que requer um jogador completo, mas também a transferência da cultura brasileira para atletas chineses.
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O diferencial do Esportivo Brasil
O Esportivo Brasil se destaca na formação de atletas de alto nível, com jogadores como Gustavo Scarpa e Bremer entre seus ex-pupilos. O sucesso do clube se deve a um tripé: uma gestão esportiva eficiente, uma estrutura física adequada e uma metodologia bem definida, com objetivos e metas claras para cada categoria. A ênfase está na minutagem obrigatória para todos os atletas e na importância dos jogos como ferramenta de avaliação e desenvolvimento. O clube também possui um programa de reuniões e treinamentos específicos para cada categoria, com foco em fundamentos técnicos e análise de desempenho.
Por fim, Marcelo Lima abordou a questão da cobrança da alta performance em jovens atletas, criticando a cultura precoce de resultados no futebol brasileiro. Ele defendeu que o incentivo à técnica e ao drible deve ocorrer desde as idades iniciais, enquanto a cobrança por resultados deve ser introduzida apenas nas categorias de base mais avançadas, como o sub-20.