Resolução para geração de biogás foi assinada Secretaria de Agricultura e Meio Ambiente de São Paulo; ouça a explicação
Uma expressão que ganhou espaço entre especialistas em energia renovável promete resumir uma tendência: “impressal caipira” — termo usado para falar do aproveitamento de resíduos agropecuários na produção de biogás. A iniciativa voltou ao foco esta semana após anúncio do governo de São Paulo de parcerias e investimentos para facilitar a adesão de produtores rurais à tecnologia, com ganhos econômicos e ambientais.
Normas e incentivos anunciados
As secretarias de Agricultura e do Meio Ambiente de São Paulo assinaram, em Ribeirão Preto, uma resolução conjunta que normatiza o licenciamento ambiental para a geração de biogás e biometano em propriedades e indústrias agrícolas do estado. A medida pretende simplificar autorizações e estimular a instalação de biodigestores tanto em grandes usinas quanto em propriedades de pequeno e médio porte.
Potencial de produção e aplicação
Segundo as secretarias, o maior potencial está no setor sucroenergético: há capacidade estimada de produzir até 30 milhões de metros cúbicos de biogás a partir do bagaço da cana‑de‑açúcar. A pecuária de corte e de leite, assim como a suinocultura, somam cerca de 5 milhões de metros cúbicos potenciais. Em entrevista à CBN, o subsecretário de Agricultura, Orlando de Castro, afirmou que biogás e biometano podem substituir diesel e gás natural veicular, sendo combustíveis mais limpos e, em muitos casos, mais baratos.
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Orlando de Castro também destacou possibilidades industriais, como a produção de amônia verde a partir do biogás, e apontou vantagem logística: “Há cerca de 70 usinas do setor sucroalcooleiro a menos de 20 quilômetros do gasoduto principal que vem da Bolívia, que enfrenta problemas de abastecimento. Isso cria uma oportunidade significativa para fontes locais de gás.”
Impactos para propriedades rurais
O governo informou ainda que vai financiar pequenos e médios produtores que possuem resíduos animais capazes de gerar biogás e biometano para uso próprio. Além da redução da demanda por energia externa, a adoção de biodigestores gera biofertilizante, que pode ser reaplicado nas propriedades, fechando um ciclo de aproveitamento de resíduos.
Especialistas avaliam que, com regulamentação mais clara e linhas de financiamento, o setor agropecuário paulista poderá acelerar a transição para fontes energéticas mais limpas e resilientes, ao mesmo tempo em que cria novas fontes de receita no campo.



