Ouça a coluna ‘CBN Educação para a Vida’, com João Roberto de Araújo
As datas cívicas, embora presentes no calendário e celebradas em escolas, parecem perder relevância com o tempo. Mas qual o real impacto dessas comemorações na educação e na formação dos indivíduos?
A História Além das Datas e Nomes
É crucial repensar a forma como a história é ensinada. Reduzir a história a nomes e datas é limitante. A história deve ser abordada de maneira interdisciplinar, explorando as complexidades dos eventos, suas dimensões sociológicas, psicossociais e socioeconômicas. É fundamental lembrar que a história não é um fato isolado, mas sim interpretações subjetivas influenciadas por interesses diversos.
A Ética da Incerteza no Ensino da História
Em tempos de maior consciência humana, é imperativo ancorar o ensino da história em uma nova ética, que não encerre questões, mas as abra para enriquecer a compreensão. É preciso alertar sobre os riscos de erros e ilusões, diferenciando fatos históricos de mitos. Ensinar a ‘confiar desconfiando’ e ‘desconfiar confiando’, como diz Edgar Morin, é essencial para lidar com a incerteza, característica inerente à condição humana. A busca excessiva por certezas compromete a compreensão da realidade.
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Ampliando o Conceito de Heroísmo
É importante expandir a gama de heróis a serem lembrados e homenageados. Nossa cultura tende a valorizar a conquista e a imposição, celebrando guerreiros em detrimento daqueles que dedicaram suas vidas à melhoria da convivência humana e ao processo de humanização. Embora figuras como Cristo e Buda sejam reverenciadas, os heróis guerreiros ainda ocupam um espaço maior na história e na educação. Napoleão, por exemplo, muitas vezes ofusca figuras como Gandhi, Martin Luther King e Madre Teresa de Calcutá.
Este é um desafio para a educação, que deve preparar os educadores para essa nova abordagem, oferecendo-lhes uma formação mais ampla e menos dogmática. Ao repensarmos a forma como ensinamos e celebramos a história, podemos contribuir para a formação de indivíduos mais sensatos, abertos e menos radicais.



