Ouça a coluna ‘CBN Agronegócio’, com José Carlos de Lima Júnior
O aumento no custo da produção agrícola no Brasil tem sido um fator determinante no preço dos alimentos, impactando diretamente o bolso dos consumidores e refletindo nos índices de inflação. Mas será que o setor de alimentação é o único vilão por trás desse cenário?
Custos de Produção em Ascensão
É importante desmistificar a ideia de que o alimento em si é o único responsável pela inflação. O índice de inflação, medido pelo IBGE, considera nove grupos, sendo alimentação e bebidas um deles, com um peso significativo de 25%. Quando observamos o preço de um produto, como carne ou tomate, é crucial entender que ele já carrega todos os custos de produção embutidos.
No início do ano, diversos fatores contribuíram para o aumento desses custos, incluindo a elevação das tarifas de energia elétrica, combustíveis e água, além do retorno de tributos. Todos esses elementos impactam o custo final do produto, que é repassado ao consumidor. Portanto, não podemos simplificar a questão, atribuindo a culpa a um único produto agrícola.
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A inflação pode variar significativamente dependendo da região. Em Ribeirão Preto, por exemplo, a habitação lidera os grupos que mais pesam na inflação, seguida por educação e transporte. Isso demonstra que o setor de serviços da região tem um papel crucial na inflação local, diferente de outras regiões onde a alimentação pode ter um peso maior.
O Produtor e a Realidade dos Custos
Existe um equívoco comum de que o produtor está lucrando mais com o aumento dos preços. Na verdade, o produtor também enfrenta uma série de despesas crescentes para produzir. Ele é um consumidor como qualquer outro e está exposto às mesmas variações de preços. Além disso, os custos de produção, como tarifas de água (que em algumas regiões do Brasil aumentaram até 80%), combustíveis (especialmente o diesel, essencial na produção agrícola) e energia elétrica, impactam diretamente sua atividade.
O produtor repassa parte desse custo para o alimento, mas é importante lembrar que, até chegar ao consumidor, o produto passa por diversos intermediários, cada um adicionando sua margem de lucro. Portanto, o produtor não é o único beneficiado e, na verdade, também sente o peso da inflação.
Fatores Climáticos e Margens de Lucro
Embora os fatores climáticos, como estiagens, possam influenciar na produção e oferta de alimentos, não podemos atribuir a eles toda a responsabilidade pela oscilação de preços. As margens de lucro praticadas por diversos setores da cadeia de distribuição também têm um impacto significativo. Em muitos casos, essas margens são excessivas, onerando o preço final para o consumidor.
É importante considerar que entre o momento em que o alimento sai do campo e chega ao nosso prato, ele passa por vários intermediários, cada um adicionando sua margem. Essa prática, menos comum em outros países, contribui para o aumento dos preços.
Em resumo, a alta dos preços dos alimentos é um problema complexo, influenciado por diversos fatores que vão além da produção agrícola. Custos de produção, inflação regionalizada, margens de lucro e fatores climáticos são apenas alguns dos elementos que contribuem para esse cenário.