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A língua portuguesa realmente é machista?

Lígia Boareto comenta a discussão sobre a concordância gramatical e a identidade de gênero que repercute na sociedade
A língua portuguesa realmente é machista
Lígia Boareto comenta a discussão sobre a concordância gramatical e a identidade de gênero que repercute na sociedade

Lígia Boareto comenta a discussão sobre a concordância gramatical e a identidade de gênero que repercute na sociedade

O programa “Sebeni, papo certo” abordou a presença e a valorização das mulheres na música e a evolução da língua portuguesa em relação ao gênero. A discussão foi conduzida por Lígia Boareto e Glaucio, A língua portuguesa realmente é machista, que destacaram a atualidade da música “Super-Homem”, de Gilberto Gil, lançada em 1979.

“Viva a ilusão de que ser homem bastaria, e do masculino tudo que eu quisesse ter. Porção mulher que até então se resguardar, é a porção melhor que trago em mim.”

Contexto da música "Super-Homem": Gilberto Gil compôs a música após ouvir a história contada por Caetano Veloso sobre uma cena do filme “Super-Homem”, em que o personagem volta no tempo para salvar sua namorada. A letra utiliza metáforas para expressar a complementaridade entre os gêneros masculino e feminino, valorizando a porção feminina presente em todos. Apesar de interpretações equivocadas que associaram a música a uma apologia à homossexualidade, o objetivo da canção é uma visão progressista sobre o papel da mulher na sociedade.

Discussão sobre a língua portuguesa e gênero

O programa abordou a percepção comum de que a língua portuguesa é machista, especialmente pela prevalência do gênero masculino nas regras de concordância. Um exemplo citado foi o uso do masculino plural para grupos mistos, mesmo quando há maioria feminina. Lígia Boareto ressaltou que a língua é um instrumento social vivo, que evolui conforme o uso dos falantes, e que debates sobre linguagem neutra ou flexão de gênero são importantes para ampliar a discussão, mas não necessariamente alteram a gramática formal imediatamente.

Exemplos históricos e sociais da evolução linguística: Foi destacado que mudanças na língua, como a evolução de “Vossa Mercê” para “você” e depois para “cê”, ocorreram naturalmente ao longo do tempo, sem debates formais. A discussão sobre termos femininos para profissões, como “presidenta” ou “mestra”, e a ausência de um termo masculino equivalente para “dona de casa” também foi mencionada, evidenciando que a língua reflete convenções sociais.

Entenda melhor

A escolha do uso de termos femininos ou masculinos na língua portuguesa pode influenciar a percepção social sobre igualdade de gênero. O debate sobre linguagem neutra e flexão de gênero é parte de um processo contínuo de adaptação da língua às mudanças culturais e sociais.

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