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A linguagem também é palco de luta contra o racismo e expressões que o carregam consigo

A linguagem também é palco de luta contra o racismo e expressões que o carregam consigo
Linguagem e racismo
A linguagem também é palco de luta contra o racismo e expressões que o carregam consigo

A linguagem também é palco de luta contra o racismo e expressões que o carregam consigo

A linguagem é uma ferramenta poderosa, capaz de construir pontes ou erguer muros. Expressões aparentemente inofensivas podem carregar um peso histórico de discriminação, perpetuando o racismo de forma sutil e, por vezes, inconsciente. É crucial estarmos atentos ao nosso vocabulário e dispostos a desconstruir padrões linguísticos que reforçam desigualdades.

A Música como Denúncia

A música “Identidade” de Jorge Aragão, composta em um momento de vulnerabilidade financeira e emocional do artista, é um grito de resistência contra o racismo velado. A experiência de ser chamado de “pretinho de alma branca” por um produtor, sob a falsa máscara de carinho, expôs a dor do apagamento da identidade negra. A canção questiona a ideia de que aceitar a discriminação é um sinal de superação, denunciando o racismo cotidiano presente em palavras e expressões aparentemente inofensivas.

Expressões que Precisam Ser Evitadas

Elogios como “negra linda”, embora possam parecer positivos, carregam a implícita ideia de que a beleza negra é uma exceção. Da mesma forma, a expressão “cor de pele” associada apenas ao tom bege ou nude exclui a diversidade de tons existentes, moldando crianças em uma estrutura sociocultural racista. A palavra “criado-mudo”, mesmo com uma possível origem em um móvel francês, evoca a imagem de escravos silenciados, servindo aos seus senhores. Denegrir, por sua vez, mesmo que sua etimologia não esteja diretamente ligada ao racismo, adquiriu essa conotação ao longo do tempo e, portanto, deve ser evitada.

A Importância da Pragmática e da Mudança Linguística

A linguística pragmática nos ensina que a intenção por trás das palavras é tão importante quanto o seu significado literal. A língua é um organismo vivo, em constante transformação, e as palavras adquirem novos significados ao longo do tempo. Se uma palavra ou expressão carrega uma carga racista, mesmo que inconscientemente, devemos aprender a não usá-la. A frase “a coisa está preta”, frequentemente usada em contextos negativos, é um exemplo de como a linguagem pode perpetuar o racismo sem que o falante tenha essa intenção. É fundamental buscar sinônimos e estar aberto a aprender com manuais e dicionários antirracistas.

A transformação da linguagem é um passo fundamental para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária. Ao questionarmos nossas próprias expressões e nos colocarmos no lugar do outro, podemos contribuir para um presente e um futuro livre de preconceitos.

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