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A produção do cacau e seus desafios

Confira um balanço da safra deste produto em 2024, que foi afetada pelo El Niño, e outros detalhes no 'EP Agro'
A produção do cacau e seus
Confira um balanço da safra deste produto em 2024, que foi afetada pelo El Niño, e outros detalhes no 'EP Agro'

Confira um balanço da safra deste produto em 2024, que foi afetada pelo El Niño, e outros detalhes no ‘EP Agro’

Em 22 de março de 2025, A produção do cacau e seus, o programa Epe Agro, transmitido pela Rádio CBN e pela TV, abordou a produção de cacau e os impactos das recentes variações de preço no mercado global e brasileiro. Rafael Borges, especialista do setor de inteligência da Estônix, explicou que os preços do cacau atingiram níveis não vistos em mais de 50 anos, devido a uma série de fatores climáticos e estruturais.

Produção e concentração geográfica: A produção de cacau no Brasil é limitada, A produção do cacau e seus, concentrando-se principalmente nos estados do Pará e Bahia. Globalmente, as principais regiões produtoras estão próximas à linha do Equador, incluindo Indonésia, países da África Ocidental e países da América do Sul como Equador, Peru e Colômbia. No estado de São Paulo, a produção é muito pequena, embora existam projetos para incentivar o cultivo.

Quebra de safra e impacto climático

A safra 2023-2024 foi considerada ruim globalmente, afetada pelo fenômeno El Niño, que causou condições climáticas voláteis, como períodos de seca e chuvas excessivas, prejudicando a produção especialmente na Bahia e no Pará. Essa quebra de safra resultou em escassez no mercado interno brasileiro, elevando os preços locais acima das referências internacionais.

Oferta, demanda e preços: Desde a safra 2021-2022, o mercado global de cacau tem registrado safras deficitárias. A safra 2023-2024 apresentou um déficit estimado em cerca de 500 mil toneladas, em um mercado que produz aproximadamente 5 milhões de toneladas por ano. Isso levou os preços a ultrapassarem 11 mil dólares por tonelada em abril de 2024, valor muito acima da média histórica de 2 a 3 mil dólares. Os estoques globais estão nos níveis mais baixos em mais de 50 anos, mantendo os preços elevados e voláteis.

Desafios estruturais e perspectivas futuras: O mercado enfrenta desafios como o envelhecimento das árvores de cacau, que perdem produtividade após 30 anos e precisam ser replantadas, além da disseminação da doença viral CSSVD, que afeta cerca de 25% das plantações em países como Gana e Costa do Marfim. A produtividade também é limitada pelo acesso restrito a fertilizantes e manejo de doenças. Espera-se que os preços permaneçam altos nos próximos dois a três anos, embora haja sinais de redução da demanda devido à inovação da indústria para usar menos cacau nas formulações.

Impactos para produtores e consumidores: Apesar dos custos elevados de insumos, os preços favoráveis têm estimulado investimentos em fertilização e manejo, principalmente em países da América do Sul, Indonésia e América Central. Nos principais produtores africanos, o sistema de comercialização governamental dificulta o repasse integral dos preços elevados aos produtores. Para os consumidores, o aumento dos preços do cacau tem refletido em preços mais altos do chocolate.

Previsão do tempo para o setor agrícola

Marina Fávaro informou que o outono de 2025 no estado de São Paulo deve apresentar características semelhantes ao verão, com chuvas em forma de pancadas e temperaturas elevadas, diferentemente do ano anterior, que teve um período prolongado de seca. As chuvas devem se estender até a segunda quinzena de abril, beneficiando o desenvolvimento de diversas culturas. No entanto, o ambiente úmido e as temperaturas amenas podem aumentar a pressão de doenças nas plantações, exigindo atenção dos produtores.

Exportação de carnes e mercado interno: O consultor em agronegócio José Carlos de Lima Júnior comentou sobre o recorde de exportação de carne suína e de frango pelo Brasil em fevereiro de 2025, destacando que o país não enfrenta problemas sanitários que comprometam a produção, ao contrário de outros grandes exportadores como China e Estados Unidos. Ele explicou que os produtos exportados possuem características técnicas específicas para os mercados internacionais, diferentes dos destinados ao consumo interno.

José Carlos também esclareceu que a produção brasileira é suficiente para atender tanto o mercado interno quanto o externo, e que a competição entre esses mercados não resulta necessariamente em aumento de preços para os consumidores locais. Ele ressaltou que a sazonalidade da produção e os estoques disponíveis permitem que o Brasil aproveite as oportunidades de exportação sem prejudicar o abastecimento interno.

Entenda melhor

O aumento dos preços do cacau está relacionado a uma combinação de fatores climáticos, estruturais e de mercado, incluindo quebras de safra consecutivas, envelhecimento das plantações e doenças. Embora os preços elevados impactem o consumidor final, eles também incentivam investimentos para aumentar a produtividade dos produtores. A previsão climática para o outono indica condições favoráveis para a agricultura, mas com maior risco de doenças. No setor pecuário, a exportação recorde não compromete a oferta para o mercado interno devido à sazonalidade e aos estoques existentes.

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