Como lidar com o sentimento de luto? Augusto Cury, psiquiatra e escritor, fala sobre como resinificar essa sensação
Após a tragédia aérea em Vinhedo, que vitimou 62 pessoas, a cidade de Cascavel, no oeste do Paraná, sofreu profundamente, registrando 24 vítimas fatais entre seus moradores. O voo 2283, com base em Ribeirão Preto, caiu no interior de São Paulo, deixando um luto coletivo em ambas as regiões.
Lutando contra a dor: estratégias para lidar com a perda
A especialista em inteligência emocional, Dra. Augusto, destaca que não há fórmulas mágicas para superar a perda de um ente querido. Em vez de buscar respostas impossíveis, a chave está em homenagear quem se foi, transformando a dor em combustível para uma vida mais plena. A médica enfatiza a importância de se recusar a ser dominado pela angústia e depressão, buscando escrever novos capítulos positivos na própria história, mesmo em meio à tristeza. Ela compartilha uma experiência pessoal, a perda do irmão, da cunhada e dos sobrinhos, para ilustrar a necessidade de escolher entre se deixar destruir ou se fortalecer diante da dor. A saudade, segundo ela, é inerente à condição humana e não deve ser vista como algo a ser superado, mas sim como parte da jornada.
O impacto da perda em crianças e adolescentes
A Dra. Augusto aborda a complexidade de explicar a morte para crianças, principalmente na era da informação instantânea e do acesso precoce a temas pesados como acidentes e suicídios. Ela alerta para os perigos da intoxicação digital e a necessidade de ensinar as crianças a lidar com suas emoções e a falar sobre a dor, em vez de evitar o assunto. A especialista destaca a capacidade cognitiva das crianças atuais e a importância de se abordar a morte com leveza e profundidade, ajudando-as a desenvolver uma perspectiva mais saudável e a valorizar a vida, independentemente de crenças religiosas.
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Gestão da emoção: a chave para a resiliência
Finalizando, a Dra. Augusto enfatiza que não existe inteligência emocional, mas sim a gestão da emoção. Ela destaca a necessidade de treinar o “eu” para lidar com frustrações, estresse e críticas, tornando-se protagonista da própria vida e transformando momentos dramáticos em oportunidades de crescimento. A capacidade de escolha e a resiliência são fundamentais para superar momentos de profunda dor e construir uma vida mais plena e significativa.



