“A violência começa com xingamento e vai terminar no faminicídio”, alerta juiz
Feminicídios e tentativas de feminicídio continuam a ser uma preocupação crescente no interior de São Paulo, revelando uma realidade alarmante de violência doméstica que exige atenção e ação.
Casos Recentes Chocam a Região
Em um período de menos de 48 horas, a região foi abalada por três casos de violência. Um deles resultou na trágica morte de uma mulher de 42 anos em Morro Agudo, vítima de múltiplos golpes de faca. Em Sertãozinho, uma tentativa brutal de feminicídio levou à prisão em flagrante do agressor, que tentou assassinar sua companheira, uma mulher de 53 anos, também utilizando uma faca. Adicionalmente, em Guará, um homem de 33 anos invadiu a residência de uma mulher de 25 anos, que estava com um bebê de apenas 17 dias no colo, e a agrediu com socos e chutes. Familiares presentes, incluindo a mãe e o padrasto da vítima, intervieram e acionaram a polícia.
A Importância da Denúncia e Medidas Protetivas
O juiz Caio César Meluso, da Vara da Violência Doméstica de Ribeirão Preto, enfatiza a importância da denúncia ao primeiro sinal de violência. Segundo ele, a violência doméstica frequentemente segue um ciclo, começando com xingamentos e evoluindo para agressões físicas, culminando, em casos extremos, no feminicídio. A vítima deve ter coragem de denunciar e buscar apoio em sua rede social para registrar um boletim de ocorrência na delegacia da mulher. Em até 24 horas, uma medida protetiva pode ser emitida, afastando o agressor do lar, mesmo sem a necessidade de um processo criminal em andamento.
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Eficácia das Medidas Protetivas e Mudança de Comportamento
Ribeirão Preto concede, em média, três mil medidas protetivas por ano, com uma taxa de descumprimento relativamente baixa, em torno de quatrocentos casos. Isso demonstra a eficácia dessas medidas e o rigor com que são aplicadas. Além disso, o juiz Meluso observa uma mudança positiva no comportamento da sociedade, com mais pessoas se envolvendo e denunciando casos de violência, abandonando a antiga postura de “não se meter em briga de marido e mulher”. Denúncias anônimas também são válidas e podem ser cruciais para a proteção das vítimas.
O combate à violência doméstica requer um esforço contínuo e coordenado, envolvendo a justiça, as forças de segurança e a sociedade civil, para garantir a segurança e o bem-estar das vítimas e promover uma cultura de respeito e igualdade.



