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Abandono precoce do aleitamento materno pode causar depressão pós-parto

Pesquisa da USP Ribeirão analisou principalmente mães na adolescência que relataram ter tido pouco apoio dos familiares
Aleitamento materno depressão pós-parto
Pesquisa da USP Ribeirão analisou principalmente mães na adolescência que relataram ter tido pouco apoio dos familiares

Pesquisa da USP Ribeirão analisou principalmente mães na adolescência que relataram ter tido pouco apoio dos familiares

O estado emocional exerce uma influência significativa sobre diversas reações físicas, podendo tanto agravar quanto atenuar certos sintomas. Uma pesquisa recente da USP investigou a relação entre a depressão pós-parto e o abandono do aleitamento materno, uma prática crucial, especialmente nos primeiros meses de vida do bebê.

A Depressão Pós-Parto em Adolescentes: Um Grupo Vulnerável

Juliana Regina Kafer, da Faculdade de Enfermagem, conduziu um estudo com jovens mães entre 12 e 19 anos com histórico de depressão. A escolha dessa faixa etária se deu pela escassez de pesquisas sobre o tema nesse grupo específico. Segundo a pesquisadora, adolescentes apresentam maior suscetibilidade à depressão pós-parto devido a fatores e aspectos particulares que podem contribuir para o desenvolvimento da doença.

Fatores que Levam ao Abandono do Aleitamento

A pesquisa revelou que a maioria das jovens mães apresentava baixa autoestima, motivada por fatores como gravidez indesejada, dificuldades financeiras, falta de apoio do parceiro e da família. Muitas abandonaram os estudos por vergonha após a gravidez. Esse turbilhão de emoções impacta diretamente a amamentação, que acaba sendo negligenciada pelas novas mamães, levando ao abandono da prática.

O estudo reforça a importância do estado emocional da mulher para o sucesso do aleitamento materno. Não basta a capacidade física para amamentar; é fundamental uma rede de apoio consolidada, incluindo suporte profissional, familiar e do parceiro. A pesquisa também destaca que os sintomas de depressão pós-parto são frequentemente negligenciados por profissionais de saúde e pela sociedade em geral.

Consequências do Abandono Precoce e a Busca por Informação

O estudo também observou que as jovens mães, muitas vezes, introduzem alimentos sólidos antes dos seis meses de vida do bebê, o que pode acarretar problemas como engasgos e nutrição inadequada. Além disso, por insegurança, recorrem à internet em busca de informações sobre aleitamento e cuidados com o bebê, em vez de procurar um especialista, o que pode comprometer o vínculo mãe-bebê.

Em um momento em que se celebra a importância do aleitamento materno, é crucial reforçar a necessidade de apoio às mães, especialmente as mais jovens e vulneráveis. As 14 mães participantes do estudo foram acompanhadas por um ano e meio pela Faculdade de Enfermagem de Ribeirão Preto.

Os resultados da pesquisa ressaltam a complexidade do período pós-parto e a importância de um olhar atento e acolhedor para as necessidades emocionais das mães, a fim de promover o aleitamento materno e o desenvolvimento saudável do bebê.

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