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Abril Azul reforça importância de identificar sinais precoces do autismo em crianças

Especialista destaca sinais antes dos 2 anos, importância do diagnóstico precoce e desafios na inclusão e no atendimento multidisciplinar
autismo
Reprodução/Freepik

O mês de abril marca a campanha Abril Azul, dedicada à conscientização sobre o transtorno do espectro autista (TEA). A iniciativa busca combater preconceitos, ampliar a inclusão social e escolar e disseminar informações sobre diagnóstico precoce e acompanhamento especializado. O dia 2 de abril é reconhecido como o Dia Mundial de Conscientização do Autismo, instituído pela ONU.

Durante entrevista à CBN Ribeirão Preto, a psicóloga e analista do comportamento Marina Lima destacou que o autismo é uma condição, não uma doença, e reforçou a importância de identificar sinais ainda na primeira infância. Segundo ela, quanto antes houver atenção aos marcos do desenvolvimento, maiores são as chances de intervenção eficaz e melhora na qualidade de vida.

Sinais iniciais

Os primeiros sinais do autismo podem surgir antes dos dois anos de idade, mas muitas vezes são ignorados ou confundidos com características individuais da criança. A especialista explica que é fundamental observar o desenvolvimento, especialmente até um ano e meio, período em que sinais importantes podem aparecer.

Entre os principais indícios estão o contato visual reduzido, a ausência de resposta ao ser chamado pelo nome e dificuldades na chamada atenção compartilhada, como apontar ou acompanhar o olhar de outra pessoa. Também podem surgir atraso na fala ou uma comunicação pouco funcional, além de comportamentos repetitivos.

Marina ressalta que, embora cada criança tenha seu próprio ritmo, é essencial que pais e responsáveis estejam atentos a esses sinais para evitar atrasos na busca por avaliação especializada.

Diagnóstico precoce

A identificação precoce é considerada determinante para o desenvolvimento da criança com autismo. Segundo a especialista, as características do transtorno devem aparecer antes dos 36 meses e envolvem alterações na comunicação social, no comportamento e no processamento sensorial.

Quanto mais cedo ocorre a detecção, mais rapidamente podem ser iniciadas intervenções, mesmo antes de um diagnóstico fechado. Isso permite aproveitar a neuroplasticidade do cérebro, favorecendo a criação de novas conexões e o desenvolvimento de habilidades.

Com acompanhamento adequado, é possível ampliar o repertório da criança, promovendo avanços na fala, na interação social e na regulação emocional, o que impacta diretamente no prognóstico.

Inclusão e tratamento

Apesar de avanços na conscientização, o preconceito ainda é um desafio na inclusão de pessoas com autismo. Marina aponta que, ao longo dos anos, houve maior compreensão sobre o transtorno, mas ainda existem mitos e desinformação na sociedade.

Ela destaca que a inclusão depende tanto da preparação das famílias e dos profissionais quanto da adaptação dos ambientes escolares e sociais. O objetivo é garantir que a pessoa com autismo possa se desenvolver com qualidade de vida e autonomia.

O tratamento envolve uma abordagem multidisciplinar, com profissionais de diferentes áreas atuando de forma integrada. No entanto, a especialista observa que, na rede pública, esse atendimento ainda não é totalmente estruturado, o que limita o acesso a intervenções mais completas.

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