Especialistas apontam que os seis pontos de coleta da cidade não surtem efeito caso não houver políticas para mudar a situação
Não é preciso andar muito por Ribeirão Preto para dar de cara com um lixão a céu aberto. Especialistas e moradores apontam a escassez de eco-pontos e a ausência de políticas públicas eficazes como causas principais para o descarte irregular de resíduos e entulhos na cidade.
Lixões espalhados pela cidade
São diversos os locais onde grandes volumes de lixo são descartados de forma irregular: avenidas, estradas e entradas de bairros concentram móveis, restos de obras e eletrônicos. Camila Castro, gestora pública e moradora do bairro Adão do Carmo há 37 anos, afirma que o problema é antigo e vem de diferentes origens — descarte indevido de empresas e também de parte da população.
“Não é só descarte ilegal de empresas. A gente sabe que grande parte dos moradores faz o descarte regular, mas há acúmulo por vários fatores”, diz Camila. Ela classifica a situação como um problema ambiental, social e de saúde pública e reclama do ritmo das ações anunciadas pela Prefeitura: “Prometeram que no fim de janeiro ou começo de fevereiro começariam a construir um eco-ponto. A população paga impostos; é o mínimo que se espera.”
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Eco-pontos insuficientes e dados da prefeitura
Atualmente, Ribeirão Preto conta com apenas seis eco-pontos — número considerado insuficiente por ambientalistas. Segundo levantamento divulgado pela Prefeitura, entre janeiro e setembro do ano passado 68 mil pessoas usaram os eco-pontos da cidade, com recolhimento de materiais recicláveis, lixo eletrônico, restos de construção civil e outros resíduos.
O ambientalista e professor da USP Marcelo Pereira critica a efetividade dos locais instalados: “Os eco-pontos instalados hoje pela Prefeitura não funcionam, são absolutamente insuficientes. A presença física não resolve se não houver uma política efetiva de reúso e educação ambiental para mudar a postura da sociedade”.
Responsabilidade individual e ações práticas
Moradores e educadores reforçam que a separação do lixo em casa é fundamental. O professor Fábio Luís do Nascimento explica sua prática: “A gente separa resíduos secos, orgânicos e recicláveis. Destinamos ao eco-ponto apenas o que realmente precisa ir para aterro; todos os recicláveis — plásticos, papéis, embalagens — encaminhamos para coleta adequada.”
Especialistas ressaltam que a conscientização da população precisa andar junto com iniciativas públicas, como ampliação dos pontos de entrega e políticas de reciclagem estruturadas. Sem isso, a simples existência de alguns eco-pontos terá impacto limitado.
A Prefeitura de Ribeirão Preto informou, em nota, que pretende instalar 29 eco-pontos na cidade. No momento, dois estão em fase de contratação: um no bairro Simione e outro no Hiberom Verde.
Enquanto a ampliação da rede de coleta seletiva avança lentamente, moradores e ambientalistas dizem que resta a combinação de fiscalização, educação ambiental e investimentos para reduzir os pontos de descarte irregular e melhorar a destinação dos resíduos.



