Ouça a coluna ‘CBN Comportamento’, com Danielle Zeoti
A dependência de drogas apresenta um grande desafio: a abstinência. Essa fase pode desencadear uma série de sintomas, desde dores de cabeça e fadiga até alterações comportamentais, como irritabilidade e impaciência. Vamos explorar como o organismo reage à falta da substância e como podemos lidar com essa situação, tanto individualmente quanto no âmbito familiar.
Entendendo a Síndrome de Abstinência
A síndrome de abstinência varia de acordo com a droga utilizada, mas apresenta algumas características em comum. A fissura, ou seja, a necessidade intensa de consumir a droga, é um dos primeiros sintomas. Essa vontade exacerbada domina os pensamentos e dificulta o autocontrole. Os sintomas psicológicos são seguidos por manifestações físicas, como tremores, taquicardia, sudorese, sensação de morte iminente ou de enlouquecimento e febre intensa. Em casos mais graves, a síndrome de abstinência pode levar a quadros psicóticos, com alucinações visuais e auditivas, e até mesmo à morte. A abstinência do álcool, por exemplo, pode evoluir para o delirium tremens, uma condição grave com risco de óbito.
Diferenças entre as Drogas
A intensidade e os sintomas da abstinência variam de acordo com a droga. A abstinência mais grave é geralmente associada à heroína e a outros opioides, como a morfina e a dolantina. Essas substâncias, utilizadas como analgésicos potentes, podem levar à dependência rapidamente. No entanto, a natureza também oferece substâncias que podem gerar dependência, como a adrenalina e a serotonina. Pessoas que buscam constantemente atividades emocionantes podem ser “viciadas” em adrenalina, enquanto os compulsivos por exercícios físicos podem ter uma dependência de serotonina, um opioide endógeno.
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Como Lidar com a Abstinência
O controle da abstinência é a parte mais complexa do tratamento da dependência química. Em muitos casos, a internação integral é necessária para realizar a desintoxicação, devido à dificuldade de controlar os sintomas físicos. O tratamento em casa, com medicamentos e terapia, pode não ser suficiente para evitar riscos ao paciente ou a terceiros, já que a agressividade é um sintoma comum da abstinência. A pessoa pode direcionar essa agressividade contra si mesma, com tentativas de suicídio, ou contra outros.
O enfrentamento da dependência química é um processo complexo que exige acompanhamento médico e apoio familiar. A conscientização sobre os riscos e a busca por ajuda profissional são passos fundamentais para superar esse desafio.