Médico Ricardo Bittar conversou com a CBN Ribeirão
Ribeirão Preto possui uma das maiores frotas de motocicletas do Brasil em relação à sua população. Segundo dados do IBGE de 2012, o município apresenta uma frota de 425 automóveis por mil habitantes, número superior à média regional de 356 e próximo à média do estado de São Paulo. Esse índice é quase o dobro da média nacional de veículos por mil habitantes. No caso das motocicletas, Ribeirão Preto também se destaca, com uma frota de 190 motos por mil habitantes, quase o dobro da média nacional, que é de 105 motos por mil habitantes.
Alta densidade de veículos e aumento dos acidentes
O município registra quase um automóvel para cada 2,3 habitantes e uma motocicleta para cada 5,2 habitantes, índices que indicam um nível elevado de saturação do trânsito local. Com tantos veículos nas ruas e motoristas nem sempre preparados para a condução, observa-se um aumento expressivo no número de acidentes de trânsito, principalmente envolvendo motociclistas.
Gravidade dos ferimentos em acidentes com motocicletas: O médico Ricardo Bitar, ortopedista e traumatologista do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, destaca que a gravidade dos ferimentos decorrentes de acidentes tem aumentado proporcionalmente ao número de ocorrências. Segundo ele, os casos mais graves são os relacionados a acidentes com motos, caracterizados por traumas de alta energia que afetam principalmente a cabeça (trauma crânio-encefálico), tórax, bacia e membros superiores e inferiores.
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“Temos percebido que as lesões são sempre muito graves, muitas vezes envolvendo trauma crânio-encefálico, que pode levar à morte, além de lesões no tórax, bacia e membros. O Hospital das Clínicas é referência para esses traumas mais complexos, o que faz com que nossa casuística seja composta principalmente por casos graves.”
Perfil das vítimas e aumento do número de mulheres envolvidas: As vítimas de acidentes com motocicletas são, em sua maioria, jovens entre 20 e 40 anos, faixa etária considerada produtiva. O médico também chama atenção para o aumento do número de mulheres vítimas, muitas vezes na condição de garupa, que podem sofrer ferimentos ainda mais graves que o condutor. Isso ocorre porque o garupa não tem controle sobre a condução e não consegue se proteger em situações de risco.
“Muitas vezes, quem está dirigindo consegue ver o que vai acontecer e se proteger, mas o garupa não sabe o que está acontecendo e acaba se machucando muito mais. Em alguns países, como a Colômbia, já foi proibido levar pessoas na garupa devido ao alto número de acidentes e vítimas fatais.”
Consequências e sequelas dos traumas ortopédicos: Além dos ferimentos imediatos, as vítimas de traumas ortopédicos podem ficar com sequelas permanentes. O médico explica que, mesmo com tratamento adequado, é comum que pacientes com fraturas graves, especialmente as expostas, levem pelo menos um ano para se recuperar, e muitos não retornam às atividades anteriores. As sequelas podem incluir amputações, perda de mobilidade e dependência de órteses ou dispositivos de auxílio para locomoção.
Importância da fiscalização e prevenção: Ricardo Bitar ressalta que, apesar das campanhas de prevenção, o aumento da fiscalização é fundamental para reduzir o número de acidentes. Ele alerta para a necessidade de cumprimento rigoroso das regras de trânsito, destacando que a combinação de direção sob efeito de álcool ou drogas e imprudência contribui significativamente para os acidentes e mortes no trânsito.
“Enquanto não houver um aumento da fiscalização e rigor no cumprimento das regras, continuaremos vendo abusos, como dirigir alcoolizado ou drogado, o que aumenta o risco de acidentes e mortes.”
Entenda melhor
Ribeirão Preto apresenta índices de veículos por habitante muito superiores à média nacional, o que, aliado à falta de preparo de alguns motoristas, resulta em aumento dos acidentes, especialmente com motociclistas. As vítimas são predominantemente jovens, e o número de mulheres envolvidas tem crescido. Os traumas decorrentes desses acidentes são graves e podem deixar sequelas permanentes, reforçando a necessidade de fiscalização rigorosa e campanhas de prevenção eficazes.



