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Acordo comercial entre Argentina e China pode impactar negócios na região

Ouça a coluna 'CBN Agronegócio', com José Carlos de Lima Júnior
Acordo comercial Argentina China
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O recente acordo comercial entre Argentina e China tem gerado preocupação na economia brasileira, levantando a possibilidade de perda de mercado para produtos nacionais que antes eram exportados para esses países. José Carlos de Lima Júnior, especialista em economia, analisa os possíveis impactos desse acordo.

O Acordo Argentina-China e o Impacto nas Exportações Brasileiras

No final de 2014, a Argentina iniciou uma aproximação com a China, culminando em um convênio que prevê investimentos significativos na infraestrutura argentina. É importante destacar que a Argentina é o terceiro maior comprador de produtos brasileiros, com cerca de 8% das exportações nacionais. A China lidera como principal destino, seguida pelos Estados Unidos.

Quais Produtos Estão em Risco?

A China se destaca como grande importadora de commodities metálicas e agrícolas, enquanto os Estados Unidos importam principalmente produtos de mecânica, aviões e combustíveis. A Argentina, por sua vez, importa principalmente automóveis, tratores e máquinas agrícolas. O acordo comercial com a China pode limitar o mercado brasileiro, especialmente no setor de máquinas e implementos agrícolas. Regiões como Ribeirão Preto, que possuem forte atuação na exportação de equipamentos agrícolas, podem sentir o impacto, já que a cidade registrou uma queda de quase 20% nas exportações de máquinas agrícolas em 2014 em relação a 2013.

A Vulnerabilidade de Outros Mercados e a Falta de Reação Governamental

Cidades como Batatais também exportam máquinas para a Venezuela, outro importante importador na América do Sul. No entanto, a Venezuela enfrenta dificuldades devido à queda no preço do petróleo, sua principal fonte de receita, o que pode impactar a compra de produtos essenciais, como máquinas agrícolas. Até o momento, a única manifestação clara sobre o acordo Argentina-China veio de associações setoriais como a ABIMAQ e a FAESP, que expressaram preocupação com a queda no mercado interno. O Ministério do Desenvolvimento não se manifestou diretamente, afirmando que se trata de uma questão entre estados, enquanto o Itamaraty também não se posicionou.

O acordo entre Argentina e China representa um desafio para a economia brasileira, com potencial para impactar negativamente os negócios, principalmente no setor de maquinários e implementos agrícolas. A situação exige atenção, especialmente em regiões produtoras como Matão, Batatais e Ribeirão Preto.

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