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Acordo entre Mercosul e União Europeia anima agronegócio e pode ampliar exportações da região

Redução gradual de tarifas abre mercado europeu para açúcar, etanol, café e carnes produzidos no Brasil
Acordo
Reprodução/Portal gov.br

A aprovação provisória do acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia gerou otimismo entre representantes do agronegócio brasileiro, especialmente na região de Ribeirão Preto, fortemente ligada ao setor sucroenergético. O aval dado pelos países europeus permite a redução e, em alguns casos, a eliminação de tarifas para produtos exportados pelo bloco sul-americano.

O acordo envolve Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai e deve beneficiar cerca de 77% dos produtos agropecuários vendidos pelo Mercosul ao mercado europeu. A expectativa é de que a assinatura oficial ocorra nos próximos dias, com implementação gradual das tarifas ao longo de quatro a dez anos, após aprovação nos parlamentos nacionais.

Açúcar

O setor sucroenergético aparece entre os principais beneficiados. A ampliação de cotas com isenção de impostos, que hoje chegam a até 20% em alguns produtos, deve tornar o açúcar brasileiro mais competitivo na Europa.

Atualmente, a União Europeia ocupa apenas a 17ª posição entre os destinos do complexo sucroalcooleiro brasileiro, muito atrás de mercados como Indonésia, Índia e China. Com o acordo, a expectativa é de expansão não apenas do açúcar, mas também de derivados da cana-de-açúcar, como o etanol.

Café

Outro segmento com forte potencial de crescimento é o café. O produto é o segundo mais exportado pelo Brasil para a União Europeia em valor, atrás apenas da soja. Hoje, o café em grão já entra no bloco sem tarifa, mas o café solúvel paga 9%, enquanto o torrado e moído é taxado em 7,5%.

Com a redução dessas tarifas, o acordo pode estimular não só a exportação do produto final, mas também toda a cadeia produtiva, incluindo indústrias de beneficiamento e processamento instaladas no país.

Carnes

As carnes bovina e de frango também entram no acordo, mas com cotas específicas. Esses produtos são considerados sensíveis pelos europeus, já que competem diretamente com a produção local.

Mesmo com limitações, especialistas avaliam que a redução gradual das tarifas deve aumentar a competitividade dos produtos brasileiros, ampliando o acesso às prateleiras do mercado europeu.

Competitividade

Além de abrir espaço para produtos do agronegócio brasileiro, o acordo também prevê maior entrada de produtos europeus no Brasil, o que aumenta a concorrência interna. Especialistas alertam que setores menos preparados precisarão se adaptar para enfrentar um ambiente mais competitivo.

As negociações entre Mercosul e União Europeia começaram ainda nos anos 1990 e ganharam novo impulso após a queda das exportações brasileiras para os Estados Unidos em 2025, provocada pelo aumento de tarifas imposto pelo governo estadunidense.

Estratégia

Em nota, a Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG) destacou que o acordo tem importância estratégica para os dois blocos. Para a União Europeia, reforça a segurança alimentar e energética. Para o Mercosul, deve impulsionar investimentos, crescimento econômico e a consolidação como potência alimentar, energética e ambiental.

A entidade também aponta a abertura de novas agendas, como combustíveis sustentáveis para aviação e transporte marítimo, além da cooperação em tecnologias, logística e integração bioceânica com a Europa.

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