Alta no preço faz produto ser um dos principais na lista dos que irão puxar a inflação no mês de junho
O aumento generalizado dos preços tem preocupado cada vez mais os consumidores. Após o leite, a carne, os legumes e as frutas, o açúcar se tornou o mais novo vilão no orçamento familiar.
Indispensável no dia a dia, seja para adoçar bebidas, preparar sobremesas ou o tradicional cafezinho, o açúcar tem pesado no bolso dos brasileiros, especialmente em tempos de festas juninas e clima frio.
Impacto no Bolso do Consumidor
A população já sente o impacto do reajuste nos preços do açúcar. Um levantamento recente mostra que o valor de um quilo de açúcar dobrou em um período de 12 meses. O que antes custava cerca de R$1,00, atrásra ultrapassa os R$2,00.
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Pedro Oliveira, dono de uma doceria, relata a dificuldade em manter os preços antigos dos produtos. Segundo ele, o aumento do açúcar precisa ser repassado ao consumidor, pois impacta diretamente nos custos de produção de doces, chocolates e outras guloseimas. A indústria já sinaliza novos aumentos, agravando ainda mais a situação.
A Priorização do Etanol
A explicação para a alta no preço do açúcar reside na estratégia das usinas, que priorizam a produção de etanol em determinados períodos. Com menos açúcar disponível no mercado, a lei da oferta e da procura eleva os preços. O valor do açúcar vendido pelas usinas atingiu o maior patamar dos últimos 10 anos, mesmo em plena safra.
Dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Única) revelam que a saca de açúcar atingiu R$86,58, um aumento significativo em relação aos R$47,00 registrados em junho do ano anterior. O tema foi amplamente discutido em um encontro de empresários e profissionais do setor em Ribeirão Preto.
Perspectivas para o Futuro
Rui Chammas, conselheiro da Única, destaca que o setor vive um momento positivo, com maior demanda do que oferta no mercado global. A expectativa é que essa tendência continue nas próximas safras, impulsionada pela baixa produção internacional e pela forte atuação do Brasil como exportador.
José Carlos de Lima Jr., especialista em agronegócios, alerta que a situação pode se agravar, com o aumento da exportação e a consequente diminuição da oferta no mercado interno. Atualmente, as usinas destinam 57% da cana para a produção de etanol e apenas 43% para a produção de açúcar.
Diante desse cenário, a produção de açúcar no centro-sul do país apresentou uma queda de 15% na segunda quinzena de maio, em comparação com o mesmo período do ano passado. Em São Paulo, a queda foi ainda mais expressiva, atingindo 18,47%.
Embora o cenário apresente desafios, o acompanhamento das dinâmicas de mercado e a busca por alternativas podem auxiliar os consumidores a mitigar os impactos financeiros.



