Ouça o segundo bloco do programa deste sábado (22)
Em um debate sobre adoção e acolhimento familiar, especialistas compartilharam perspectivas cruciais sobre o processo, os desafios e as necessidades das crianças e adolescentes envolvidos. O programa contou com a participação de Márcia Inês Vieira, do grupo de apoio à adoção Crescendo em Família, Valéria Matar, psicóloga do Fórum de Ribeirão Preto, e Elisabeth Veronaese, do SAICA (Serviço de Acolhimento Institucional para Crianças e Adolescentes).
O Panorama do Acolhimento em Ribeirão Preto
Elisabeth Veronaese apresentou um panorama do SAICA em Ribeirão Preto, revelando que a instituição acolhe atualmente 23 crianças e adolescentes. Ela explicou que o acolhimento é uma medida de proteção, mas alguns adolescentes resistem a permanecer na instituição, desejando retornar às suas famílias, mesmo que estas apresentem riscos. A situação de evasão, segundo Elisabeth, ocorre quando o adolescente desiste da medida de proteção sem a determinação judicial de desacolhimento.
Famílias Acolhedoras: Um Déficit e um Apelo
Márcia Inês Vieira destacou o déficit de famílias acolhedoras em relação ao número de crianças e adolescentes que necessitam desse tipo de cuidado temporário. Ela explicou que, geralmente, as famílias acolhedoras são aquelas que já possuem filhos mais velhos e se dispõem a oferecer um lar temporário para crianças que precisam. Elisabeth Veronaese complementou, informando que, em Ribeirão Preto, existem apenas seis famílias cadastradas para 20 vagas nos programas de acolhimento, e que nove crianças e adolescentes já estão aptos a serem recebidos, mas não há famílias disponíveis.
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Adoção Tardia e a Necessidade de Preparo
Um dos pontos críticos abordados foi a adoção tardia, que envolve crianças maiores e adolescentes. Elisabeth Veronaese ressaltou que muitas dessas crianças possuem demandas especiais, como problemas neurológicos ou psiquiátricos, o que exige um cuidado específico por parte das famílias. Valéria Matar enfatizou a importância do acompanhamento psicológico e social durante o processo de adoção, especialmente no estágio de convivência, que antecede a decisão final do juiz. Ela também mencionou os casos de devolução de crianças, que, embora raros, são extremamente traumáticos e exigem um preparo ainda maior por parte dos pretendentes à adoção.
O debate evidenciou a complexidade do processo de adoção e acolhimento, reforçando a importância do amor, da paciência e da dedicação por parte das famílias, bem como do apoio técnico e emocional oferecido pelas instituições e profissionais envolvidos.



