Hospital de Barretos não tinha leito de UTI; atestado aponta morte por eclampsia
A família de Maria Eduarda de Lordes Almeida, uma adolescente de 15 anos, acusa a Santa Casa de Barretos de negligência médica após a morte da jovem, que ocorreu após 17 horas em trabalho de parto. O bebê nasceu saudável, pesando 3,200kg, mas Maria Eduarda entrou em coma após sucessivas convulsões e não resistiu.
O que aconteceu durante o trabalho de parto?
Segundo Angélica de Almeida Oliveira, irmã da vítima, Maria Eduarda realizou todos os exames do pré-natal, e nenhum deles indicou qualquer problema com ela ou com o bebê. Na madrugada de domingo, com 36 semanas de gestação, a adolescente entrou em trabalho de parto. Após contrações, Maria Eduarda deu entrada no hospital, onde os médicos decidiram aguardar o parto natural. No começo da tarde, sentindo muitas dores, a jovem chegou a pedir que fosse realizada uma cesárea.
A alegação de negligência
Ainda de acordo com a irmã da adolescente, na mesma noite, Maria Eduarda teve a primeira convulsão, e a equipe decidiu levá-la ao centro cirúrgico, onde foi realizada a cesárea. O bebê nasceu com uma infecção e foi internado. Maria Eduarda sofreu outras convulsões e passou 30 horas em coma, respirando com a ajuda de aparelhos, enquanto aguardava a transferência para outro hospital que tivesse uma vaga em UTI. O atestado de óbito aponta como causa da morte edema cerebral e doença hipertensiva da gestação, conhecida como eclâmpsia.
Investigação e Ações Legais
A família registrou um boletim de ocorrência sobre o caso. O advogado Edson Garcia afirma que já pediu os prontuários referentes ao pré-natal e aos procedimentos realizados na Santa Casa para entrar com um processo contra a entidade por negligência. O advogado destacou ainda o fato de Maria Eduarda ter sido tratada em uma sala de emergência, quando precisava de cuidados específicos de uma UTI, reforçando a acusação de descaso por parte da Santa Casa. A Santa Casa de Barretos informou que havia leito de CTI disponível, mas o médico que fez o parto decidiu manter a paciente na sala de recuperação. O hospital vai investigar e encaminhar o caso ao Ministério Público.
A família busca respostas e justiça diante da perda, enquanto aguarda o desenrolar das investigações e o andamento do processo legal.



