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Adolescente de 15 é condenada à prisão perpétua depois de matar a mãe a tiros nos Estado Unidos

Crise psicótica, transtorno de conduta... o que pode gerar esse tipo de comportamento? Ouça o 'CBN Comportamento'
Adolescente de 15 é condenada à
Crise psicótica, transtorno de conduta... o que pode gerar esse tipo de comportamento? Ouça o 'CBN Comportamento'

Crise psicótica, transtorno de conduta… o que pode gerar esse tipo de comportamento? Ouça o ‘CBN Comportamento’

Um adolescente de 15 anos foi condenado à prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional nos Estados Unidos após matar a tiros a própria mãe. O crime ocorreu em março deste ano, Adolescente de 15 é condenada à prisão perpétua depois de matar a mãe a tiros nos Estado Unidos, mas o julgamento foi concluído recentemente. A vítima era professora na escola onde a filha estudava.

Imagens das câmeras de segurança da residência mostram a jovem chegando em casa, escondendo um objeto, e posteriormente entrando no quarto da mãe. Pelos áudios captados, é possível ouvir três disparos contra a face da vítima, seguida de gritos. Em seguida, a adolescente liga para uma amiga, pedindo que ela vá até sua casa devido a uma emergência. Depois, envia uma mensagem ao padrasto perguntando quando ele chegaria. Quando a amiga chega, a jovem pergunta se ela já viu um cadáver e mostra o corpo da mãe.

Durante esse período, as câmeras registram a adolescente brincando com os cachorros da casa, que aparentam estar assustados com os barulhos. Menos de uma hora depois, o padrasto chega, e a jovem dispara duas vezes contra ele, mas não consegue matá-lo. Ele consegue desarmá-la e chama a polícia. Ao chegar, os policiais encontraram o padrasto chorando, afirmando que a enteada havia matado a mãe, enquanto a adolescente não demonstrava qualquer afeto.

Acusações e defesa: A promotoria acusou a jovem de homicídio triplamente qualificado. A defesa alegou que ela teria sofrido uma crise psicótica, apresentando surtos e ouvindo vozes no momento do crime. No entanto, psiquiatras que avaliaram a adolescente concluíram que ela tinha plena capacidade para responder pelos atos cometidos.

Foi encontrado um diário da jovem no qual ela expressava que não via problema em ser má, não acreditava em Deus e que as pessoas não precisavam de família. Segundo a promotoria, o crime teria sido motivado pela descoberta do uso de maconha e vape pela adolescente, fato que teria gerado conflito com a mãe e o padrasto. Dias antes do crime, a mãe encontrou vários vapes e celulares no quarto da filha, além de números de telefone desconhecidos.

Histórico comportamental: A adolescente já apresentava alterações comportamentais na escola, incluindo trapaças, roubos e outros problemas disciplinares. O caso gerou discussão sobre a possibilidade de transtorno de conduta ou crise psicótica como explicação para o comportamento violento.

Especialistas explicam que o termo “crise psicótica” não é utilizado na psiquiatria, sendo mais adequado o termo “surto psicótico”. Esse surto não ocorre de forma súbita, mas é precedido por sinais como comportamento desorganizado, alucinações auditivas ou visuais, risos sem motivo e isolamento social. Tais sintomas costumam persistir e são notados por familiares, amigos e professores.

No caso da jovem, não foram observados esses sinais prévios, e os psiquiatras descartaram a hipótese de surto psicótico no momento do crime.

Transtorno de conduta e implicações legais

O transtorno de conduta é um diagnóstico feito em crianças e adolescentes que apresentam um padrão repetitivo de violação das normas sociais e dos direitos alheios. Os sintomas devem estar presentes por pelo menos 12 meses, com agravamento nos últimos seis meses. Entre os comportamentos característicos estão agressão a pessoas e animais, intimidação, uso de armas, crueldade física, roubos, destruição de propriedades e fuga de casa.

O diagnóstico deve ser realizado por profissionais especializados, considerando as particularidades do desenvolvimento infantil e adolescente. Nem todas as crianças com transtorno de conduta se tornam adultos com transtorno de personalidade antisocial, conhecido como psicopatia, pois isso depende da intervenção adequada durante a infância e adolescência.

No Brasil, a inimputabilidade penal é aplicada apenas em casos de surto psicótico, esquizofrenia ou episódios de depressão pós-parto que comprometam a capacidade de entendimento e autodeterminação. Em outras situações, o indivíduo é considerado imputável e responsável por seus atos.

Prevenção e cuidados: Especialistas destacam a importância da imposição de limites claros e rígidos para crianças e adolescentes, com regras não negociáveis e cobrança de bom desempenho escolar. É fundamental que os pais e responsáveis estejam atentos ao comportamento dos filhos e de seus grupos de amizade, pois a delinquência costuma ocorrer em grupos.

Manter um canal de comunicação aberto, participar da vida escolar dos filhos e buscar ajuda profissional diante de sinais de comportamento agressivo ou rebelde são medidas essenciais para prevenir situações graves. A avaliação psicológica e psiquiátrica deve ser procurada sempre que houver dúvidas ou sinais de alerta.

Entenda melhor

O transtorno de conduta é um distúrbio caracterizado por um padrão persistente de comportamento que viola direitos alheios e normas sociais. O diagnóstico é complexo e requer avaliação profissional. A prevenção envolve educação, limites claros e acompanhamento constante.

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