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Adolescente fica ferido após pegar rabeira em ônibus em Ribeirão Preto

Acidente reacende alerta sobre prática ilegal, falta de fiscalização, riscos graves para jovens, motoristas e passageiros do transporte coletivo
Adolescente
Câmera de segurança

Um adolescente ficou ferido após cair enquanto pegava rabeira em um ônibus no bairro Cristo Redentor, em Ribeirão Preto. O acidente ocorreu na última segunda-feira (26) e voltou a chamar atenção para uma prática ilegal e perigosa, recorrente em diferentes regiões da cidade e que frequentemente resulta em vítimas.

A chamada “rabeira”, quando jovens se penduram na traseira de ônibus em movimento, é proibida pelo Código de Trânsito Brasileiro. Mesmo assim, continua sendo registrada com frequência, especialmente entre adolescentes, o que preocupa autoridades, motoristas e especialistas em mobilidade urbana.

Medo e vandalismo

O vice-presidente do Sindicato dos Motoristas de Ribeirão Preto, Alcides Lopes, afirma que os condutores enfrentam dificuldades para agir diante da situação. Segundo ele, além da falta de fiscalização, motoristas relatam medo de represálias e atos de vandalismo.

De acordo com o sindicato, qualquer tentativa de coibir a prática pode resultar em ônibus depredados ou em riscos à integridade física dos profissionais e dos próprios passageiros. A orientação, hoje, é que os motoristas não reajam.

Falta de fiscalização

Para o engenheiro de tráfego Fernando Velasques, o comportamento humano é um dos fatores mais difíceis de controlar no trânsito, mas o aumento da fiscalização é essencial para reduzir acidentes. Ele avalia que campanhas educativas são importantes, mas não suficientes para conter a prática.

Segundo o especialista, a ausência de punições efetivas contribui para a continuidade das infrações. Mesmo sendo ilegal, a rabeira ainda não gera, na prática, a sensação de risco de penalização entre os jovens.

Risco crescente

Velasques explica que muitos adolescentes começam a pegar rabeira ainda na infância, usando bicicletas, o que faz com que o cérebro se acostume ao risco. Com o tempo, a prática evolui para veículos mais rápidos, aumentando significativamente a chance de acidentes graves ou fatais.

O engenheiro destaca que, quanto maior for a velocidade do veículo, maior é a energia do impacto em caso de queda. Um simples desequilíbrio pode resultar em atropelamentos ou colisões sem tempo de reação para motoristas que vêm atrás.

Impacto no transporte

Além do risco à vida, a prática gera prejuízos ao transporte coletivo. Ônibus novos já chegaram à cidade com grades traseiras arrancadas ou danificadas, facilitando que adolescentes se pendurem nos veículos.

Segundo especialistas, os custos com depredação acabam sendo repassados indiretamente à população, que paga pelo sistema de transporte e sofre com a redução da qualidade do serviço.

Educação e punição

Apesar da existência de uma lei municipal que prevê multa e apreensão de bicicletas, a fiscalização ainda não está plenamente em funcionamento. Especialistas defendem que a combinação de punição, fiscalização efetiva e educação desde a infância é o único caminho para reduzir o problema.

Fernando Velasques ressalta que a conscientização deve começar em casa e nas escolas, reforçando a noção de convivência no espaço público e respeito às regras de trânsito.

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