Luiz Pires Neto teria ido ao Paraguai buscar R$ 1 milhão que seria pago a desembargador para transferir aliado de Beira-Mar
O advogado Luiz Pires Moraes Neto foi preso nesta quarta-feira (data não divulgada) em Santa Rosa de Viterbo, Advogado da região é preso suspeito de tentar manipular uma decisão do Tribunal de Justiça, interior de São Paulo, sob suspeita de intermediar a venda de sentenças judiciais no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP). A prisão faz parte da Operação Churrascada, deflagrada pela Polícia Federal (PF) em junho de 2024, que investiga um esquema de corrupção envolvendo magistrados e advogados.
Segundo as investigações, Luiz Pires teria ido até o Paraguai para buscar dinheiro em espécie, no valor de 1 milhão de reais, destinado ao pagamento de propina. Esse valor seria uma parte do acordo com o desembargador Ivo de Almeida, afastado do cargo pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) por um ano, em razão das suspeitas de participação no esquema.
O desembargador Ivo de Almeida atuava na primeira Câmara de Direito Criminal do TJ-SP e, conforme apurado, recebia dinheiro para proferir sentenças favoráveis a criminosos, incluindo o narcotraficante Romilton Queiroz-Ozi, considerado homem de confiança do ex-chefe do crime organizado Fernandinho Beira-Mar.
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Detalhes da investigação e operação: A Operação Churrascada teve início em junho de 2024, quando a Polícia Federal realizou buscas em Santa Rosa de Viterbo para apurar o envolvimento dos advogados Luiz Pires Moraes Neto e Wellington Pires no esquema de venda de decisões judiciais. Wellington Pires é considerado foragido e também está sendo investigado.
As investigações se basearam em mensagens trocadas entre os investigados, que foram analisadas pela PF. Em uma das conversas, o advogado Luiz Pires Moraes Neto relata o retorno do Paraguai com a quantia de 1 milhão de reais, indicando que a mala com o dinheiro já estava pronta para ser entregue.
“E aí meu parceiraço, já voltei do Paraguai, hein? Lá a mala está pronta. Agora é só você na área, hein?”
Outra mensagem reproduzida pela reportagem mostra a preocupação de um dos envolvidos com o pagamento da propina, ressaltando a capacidade financeira do narcotraficante beneficiado:
“Demorou, doutor, vou dar uma cobrada no rapaz aqui. Os meninos, será que afirma para pagar ou vai querer parcelar? Tá de brincadeira, né? O cara é bilionário, tem 50 mil bois, tem 8 mil alqueires, alqueirão de soja, tem uns 20, 30 helicópteros e avião. Esquece. Cocaína, então? Deve ter estocado mais de 6, 7 toneladas na fazenda.”
Envolvimento dos investigados: Além de Luiz Pires Moraes Neto e do desembargador Ivo de Almeida, o advogado Wellington Pires também é alvo da investigação e está foragido. A PF identificou que os investigados chamavam os plantões do desembargador Ivo de Almeida de “Dia do Churrasco”, expressão que deu nome à operação.
O narcotraficante Romilton Queiroz-Ozi, beneficiado pelas decisões judiciais, é apontado como homem de confiança do ex-chefe do crime organizado Fernandinho Beira-Mar, o que reforça a gravidade do esquema investigado.
Posicionamento das defesas: Desde o início da operação, as defesas dos envolvidos foram procuradas pela reportagem. O advogado de Luiz Pires Moraes Neto afirmou que só se manifestaria após ter acesso ao processo, mas até o momento da publicação não enviou atualizações. A defesa do advogado Wellington Pires, que está foragido, não se manifestou desde junho de 2024. Já a defesa do desembargador Ivo de Almeida informou, em junho, que aguardava o acesso ao processo e também não respondeu até esta quarta-feira.
Próximos passos e acompanhamento: Luiz Pires Moraes Neto deve ser transferido ainda nesta quarta-feira para a Polícia Federal em Ribeirão Preto, onde permanecerá à disposição das autoridades para os procedimentos legais. A Polícia Federal continua as investigações para identificar todos os envolvidos no esquema e apurar a extensão das práticas ilícitas.
Informações adicionais
A Operação Churrascada evidencia a atuação de uma rede de corrupção que compromete a integridade do sistema judiciário paulista, envolvendo magistrados e advogados que manipulavam decisões judiciais em troca de valores milionários. O caso segue em investigação, e novas informações serão divulgadas conforme o andamento dos processos.



