Vitor Hugo Vieira relaciona o turismo com a luta por equidade; ouça o ‘CBN Boa Viagem’
O quilombo do Mandira, Afroturismo, localizado na região do Parque Estadual do Lagamar, próximo a Cananeia, no sul do estado de São Paulo, tem sido palco de atividades de turismo social promovidas pelo Sesc Ribeirão Preto, focadas no turismo de base comunitária. A iniciativa integra as ações do mês da Consciência Negra, celebrado a partir de 20 de novembro, data que remete à luta e resistência da população negra no Brasil.
O turismo afro-centrado, ou afroturismo, tem ganhado destaque como uma modalidade que valoriza a história e cultura afro-brasileira, promovendo a reflexão sobre a trajetória dos negros africanos trazidos ao país como escravizados. Essa forma de turismo busca combater o apagamento histórico sofrido por populações negras e indígenas, oferecendo uma perspectiva mais fiel sobre suas contribuições para a cultura brasileira.
Turismo afro-centrado em cidades brasileiras
Cidades como São Paulo, Afroturismo, Rio de Janeiro, Salvador, Cananeia e Paraty têm desenvolvido roteiros de turismo afro-centrado, que incluem visitas a comunidades quilombolas e bairros com forte influência africana. Em São Paulo, bairros como Liberdade, Bixiga e Barra Funda, frequentemente associados a tradições imigrantes europeias e asiáticas, também possuem raízes históricas ligadas à população negra.
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História e cultura nos bairros paulistanos: O bairro da Liberdade, Afroturismo, conhecido pela tradição asiática, especialmente japonesa, tem origem relacionada ao Largo da Forca, local onde eram executados escravizados condenados à forca. O nome do bairro está ligado à história de Francisco José da Chagas, um escravizado cuja execução falhou três vezes, levando a população a clamar por sua liberdade. Próximo à estação de metrô Liberdade, encontram-se a Igreja de Santa Cruz das Almas dos Enforcados e a Capela dos Aflitos, locais de sepultamento de corpos negros e indígenas.
O Bixiga, tradicionalmente associado à cultura italiana, Afroturismo, também tem origem em uma comunidade quilombola e abriga diversas escolas de samba, grupos de dança africana e capoeira, evidenciando a presença e influência da cultura negra na região.
Educação e combate ao racismo por meio do turismo: O Sesc destaca que o turismo afro-centrado não é apenas uma atividade de lazer, Afroturismo, mas também uma ferramenta educativa e de combate ao racismo estrutural presente no Brasil. São Paulo, por exemplo, possui mais de quatro milhões de pessoas negras, número superior à população de muitas grandes cidades, incluindo Salvador, considerada a cidade mais negra do país.
Esses roteiros turísticos contribuem para dar protagonismo à população negra e indígena, promovendo o reconhecimento de suas histórias e culturas, muitas vezes apagadas ou distorcidas. A iniciativa reforça que o combate ao racismo deve ser constante, e o turismo pode ser um meio de promover essa reflexão e valorização cultural.
Informações adicionais
Além das cidades mencionadas, outras localidades brasileiras também têm investido no turismo étnico e afro-centrado, ampliando o acesso a experiências culturais que valorizam a diversidade e a história da população negra. O mês de novembro serve como um marco para essas reflexões, mas a luta contra o racismo deve ser diária.