Ouça a coluna ‘CBN Multimídia’, com Edmo Bernardes
O mercado publicitário inicia o novo ano com discussões antigas e novas perspectivas, entre elas, a possível retomada da discussão sobre a regulamentação da mídia no Brasil pelo governo federal. A proposta, que já circulou em governos anteriores, reacende debates sobre a liberdade de expressão e o papel do Estado na fiscalização da imprensa.
O Retorno da Agência Reguladora: Um Debate Complexo
A ideia de criar uma agência reguladora para o setor de mídia não é nova. O atual Ministro das Comunicações, Ricardo Berzoini, resgatou um discurso semelhante ao do ex-presidente Lula, que, curiosamente, antes de assumir o poder, era contrário a qualquer forma de regulamentação. A questão central reside na tênue linha entre regular e censurar, um dilema que permeia o debate.
O Papel das Agências Reguladoras e a Autonomia da Mídia
No Brasil, existem diversas agências reguladoras que supervisionam setores específicos, como a Agência Nacional de Águas (ANA), a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) e a Agência Nacional do Petróleo (ANP). No entanto, a criação de uma agência para regular um setor civil como a mídia levanta questionamentos sobre a sua legitimidade e a possível interferência do governo na liberdade de imprensa. O Supremo Tribunal Federal (STF) já se manifestou diversas vezes sobre a inconstitucionalidade de medidas semelhantes, defendendo que eventuais excessos cometidos pela mídia devem ser julgados pela justiça comum, e não pelo governo.
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Liberdade de Expressão e o Compromisso Social da Mídia
A Constituição Brasileira garante a liberdade de expressão, um dos pilares da democracia. Restringir o acesso à informação e aos diferentes pontos de vista, mesmo os contrários, impede o debate público e o exercício da cidadania. A mídia, por sua vez, tem o compromisso social e ético de informar com responsabilidade e promover o diálogo.
A discussão sobre a regulamentação da mídia no Brasil é complexa e envolve diferentes perspectivas. É fundamental que o debate seja amplo e transparente, com o objetivo de garantir a liberdade de expressão e o direito à informação, pilares essenciais para a construção de uma sociedade democrática.



