Equipe do Fantástico, da rede Globo, teve acesso às câmeras de monitoramento do comércio; policiais foram afastados
Na madrugada entre sábado e domingo, Agentes da Força Tática invadem adega e são flagrados agredindo proprietário e clientes, uma ação da Polícia Militar em uma adega na região da Ribeira, em Ribeirão Preto, gerou controvérsia e denúncias de violência excessiva. O caso foi exibido no programa Fantástico, da TV Globo, que divulgou imagens de câmeras de segurança mostrando o momento da intervenção policial.
Segundo relatos, o barulho alto provocado por um grupo de jovens que estava nas proximidades incomodou os vizinhos, que acionaram a polícia. O dono do estabelecimento afirmou que não estava ocorrendo um baile funk no local, contrariando a versão de uma festa, e que o evento previsto não havia começado. Com a chegada da polícia, houve disparos de bombas de efeito moral e uso de gás lacrimogêneo, o que provocou correria entre os presentes.
O proprietário da adega decidiu fechar as portas para conter a situação, mas os policiais da força tática exigiram a abertura do estabelecimento, utilizando gritos e ameaças de morte. O dono pediu calma e explicou que poderia abrir um portão lateral, mas que não se sentia seguro diante da postura agressiva dos agentes. A demora para abrir a porta foi motivada pelo medo dos envolvidos, diante da violência demonstrada pelos policiais.
Após arrombarem a porta de ferro, os policiais entraram no local, derrubaram um balcão e um funcionário foi agredido com um cassetete por um dos agentes. O proprietário acionou a polícia para solicitar socorro contra a própria ação policial. Durante a intervenção, um cliente de 61 anos foi empurrado por um policial, caiu sobre uma moto e recebeu um tapa do agente. Outras agressões também foram registradas.
O advogado do dono da adega, Alexandre, concedeu entrevista ao Fantástico e afirmou que, apesar de terem sido encontradas algumas máquinas caça-níqueis no estabelecimento, o que pode configurar uma infração, isso não justifica a violência empregada pelos policiais. Ele destacou que em nenhum momento as vítimas foram revistadas e classificou o procedimento como fora dos padrões legais. O advogado ressaltou que a Polícia Militar possui mecanismos para punir os agentes envolvidos em excessos.
Investigação e posicionamento das autoridades
A Corregedoria da Polícia Militar informou que está investigando o caso ocorrido na adega em Ribeirão Preto. A Secretaria de Segurança Pública comunicou que os policiais envolvidos foram remanejados para funções administrativas enquanto a apuração está em andamento. A secretaria afirmou que a instituição não tolera excessos ou desvios de conduta e que punirá rigorosamente qualquer irregularidade comprovada.
Responsabilização dos proprietários: O dono do estabelecimento e seu filho foram encaminhados à delegacia e respondem por contravenção penal relacionada às máquinas caça-níqueis encontradas no local. Não foram divulgados detalhes sobre o andamento do processo ou outras possíveis infrações.
Contexto da operação policial: O episódio ocorreu em um contexto de reclamações dos moradores sobre o barulho e aglomeração de jovens na rua, o que motivou a chamada para a polícia. A ação da força tática foi marcada pelo uso de armas não letais e pela entrada forçada no estabelecimento, gerando questionamentos sobre a proporcionalidade da intervenção.
Entenda melhor
A Polícia Militar tem protocolos para intervenções em locais com aglomeração e perturbação do sossego, mas o uso excessivo de força pode ser investigado e punido. Máquinas caça-níqueis são proibidas e configuram contravenção penal, o que pode justificar apreensão e responsabilização dos proprietários. Procedimentos legais exigem que vítimas sejam revistadas e que a atuação policial seja proporcional e respeite direitos.


