O tema da vez é a regência do verbo ‘assistir’, afinal de contas, assistimos ‘o jogo’ ou ‘ao jogo’? Lígia Boareto explica!
O programa CBN Papo Certo discutiu as diferentes regências do verbo “assistir”, tema sugerido pela ouvinte Luara Galacho. A discussão focou em três principais regências, esclarecendo seu significado e uso correto.
Assistência versus Presença: A Importância da Preposição
A primeira distinção abordada foi entre o sentido de “assistir” como ajudar, prestar assistência (transitivo direto), e o sentido de “ver”, “presenciar” (transitivo indireto). No primeiro caso, o verbo não leva preposição: “Luara assistiu o debate” significa que ela auxiliou na sua preparação. Já para indicar que Luara apenas assistiu ao debate, a preposição “a” é obrigatória: “Luara assistiu ao debate”. A inclusão de “a” transforma a regência, indicando a ação de presenciar o evento. A crase (“ao”) é utilizada quando a preposição “a” se junta ao artigo definido feminino “a” ou ao pronome demonstrativo “a”.
Residência: Um Sentido Menos Comum
O programa também mencionou o uso menos frequente de “assistir” com o sentido de “morar”, “residir”. Neste caso, o verbo é intransitivo e rege a preposição “em”: “Assisto em Ribeirão Preto”. Esse sentido, embora menos comum no cotidiano, aparece em contextos poéticos, como na música de Tom Jobim, “Ana Luísa”, onde “assistir” significa “residir”.
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Linguagem Coloquial versus Norma Culta
Por fim, os apresentadores destacaram a diferença entre a linguagem coloquial e a norma culta. Na linguagem informal, é comum o uso incorreto do verbo “assistir” sem a preposição “a”, mesmo quando o sentido é de “ver” ou “presenciar”. Embora aceito na conversa do dia a dia, esse uso incorreto deve ser evitado em contextos formais, como provas de vestibular e concursos públicos, onde a regência verbal é frequentemente cobrada.