O álbum “Alucinação”, de Belchior, completa 50 anos em 2026, enquanto o cantor e compositor cearense completaria 80 anos em 26 de outubro. Na Sala de Música, Osório Cristóvão homenageia o artista e analisa a importância do disco lançado em junho de 1976, que projetou Belchior nacionalmente. O comentarista destaca a influência da literatura, da filosofia e da cultura popular nas composições, além da capacidade do músico de retratar a realidade de quem sai do interior em busca de espaço nas grandes cidades.
Entre as canções comentadas estão “Apenas um Rapaz Latino-Americano”, que questiona a dependência cultural e reivindica o direito de expressar a própria realidade; “Velha Roupa Colorida”, que aborda a transformação de ideias e comportamentos ao longo do tempo; e “Como Nossos Pais”, que reflete sobre os conflitos entre gerações em meio ao contexto da ditadura militar. O quadro também destaca A Palo Seco, cuja força expressiva é associada à resistência e ao enfrentamento da censura, e Sujeito de Sorte, que ganhou novas interpretações e alcançou outras gerações, inclusive por meio da retomada feita por Emicida em AmarElo, em 2019.
Para Osório Cristóvão, “Alucinação” se destaca pela diversidade musical, que transita por referências nordestinas, rock e psicodelia, e pela força das letras, que continuam atuais. O comentarista também avalia que a obra de Belchior merece maior reconhecimento pela profundidade de suas composições. Ouça a íntegra da homenagem a Belchior no quadro Sala de Música, no áudio acima.