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A busca pelo corpo perfeito, impulsionada por padrões estéticos e pela cultura da rapidez, tem levado muitos a adotarem práticas de exercícios e dietas sem a devida orientação, o que pode acarretar sérios riscos à saúde. Recentemente, a morte de um estudante de 16 anos, Alisson Roberto Ribeiro de Souza, vítima de miocardiopatia hipertrófica durante uma atividade escolar, reacendeu o debate sobre os perigos da atividade física sem acompanhamento profissional e o uso indiscriminado de suplementos.
Miocardiopatia Hipertrófica: Uma Condição Silenciosa
A miocardiopatia hipertrófica é uma condição congênita, muitas vezes hereditária, caracterizada pelo aumento da espessura do músculo cardíaco. Em muitos casos, a doença permanece assintomática até que a pessoa seja submetida a esforços físicos intensos. O Dr. João Aroudo Pontim Barbosa, especialista em Medicina do Esporte e Fisiatria, explica que o risco reside na prática de atividades físicas intensas sem orientação, pois o esforço exacerbado pode manifestar a condição, levando a complicações graves.
O caso do jovem Alisson chamou a atenção para a possível relação entre o uso de substâncias para ganho de massa muscular e o agravamento da miocardiopatia. Embora não seja possível afirmar categoricamente que o uso de suplementos ou anabolizantes tenha sido a causa direta da morte, o Dr. João Aroudo alerta que essas substâncias podem acelerar o crescimento do músculo cardíaco, exacerbando a condição preexistente.
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Suplementação: Quando o Remédio se Torna Veneno
A busca por resultados rápidos e corpos esculturais tem impulsionado o consumo de suplementos alimentares, muitas vezes sem a devida orientação. O Dr. José Ernesto dos Santos, nutrólogo da Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto, ressalta que a suplementação deve ser individualizada e acompanhada por profissionais qualificados. Para atletas de alto rendimento, a suplementação pode ser uma ferramenta útil, desde que integrada a um plano alimentar e de treinamento adequado.
No entanto, para a maioria das pessoas que buscam apenas manter a forma física, a suplementação é desnecessária e pode até ser prejudicial. Uma alimentação equilibrada, rica em nutrientes, é suficiente para suprir as necessidades do organismo e promover o desenvolvimento muscular. O Dr. José Ernesto alerta para o apelo do mercado de suplementos e a ilusão de que o consumo desses produtos, aliado à prática de exercícios, garante resultados milagrosos.
Prevenção e Orientação: O Caminho para uma Vida Ativa e Saudável
A prática de atividades físicas é fundamental para a saúde e o bem-estar, mas deve ser realizada de forma consciente e responsável. Antes de iniciar qualquer programa de exercícios, é essencial passar por uma avaliação médica completa, que inclua exames cardiológicos, como eletrocardiograma e ecocardiograma, para identificar possíveis condições preexistentes. Além disso, é fundamental contar com a orientação de profissionais de educação física e nutrição, que poderão prescrever um plano de treinamento e alimentar adequado às necessidades e objetivos de cada indivíduo.
A conscientização sobre os riscos da atividade física sem orientação e do uso indiscriminado de suplementos é fundamental para promover uma cultura de saúde e bem-estar. A educação física nas escolas, a valorização da alimentação saudável e o acompanhamento profissional são pilares essenciais para garantir que a busca pelo corpo perfeito não se transforme em uma ameaça à saúde.
Em última análise, o equilíbrio e a moderação são as chaves para uma vida ativa e saudável. Priorizar a saúde e o bem-estar em detrimento de padrões estéticos inatingíveis é o caminho para uma relação mais positiva com o próprio corpo e para uma vida mais longa e feliz.



