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A economia brasileira e o sistema tributário foram temas centrais em um recente debate na CBN Ribeirão, com a participação do professor Luciano Nakabashi, da FEA-USP, e do economista Jair Kaskiel Jr. Os especialistas abordaram a complexidade do sistema tributário, a necessidade de reformas e o impacto da política na gestão dos recursos públicos.
Raízes Históricas da Tributação no Brasil
Jair Kaskiel Jr. traçou um paralelo entre a gestão tributária atual e o período colonial, argumentando que o Estado brasileiro herdou vícios da administração portuguesa, que historicamente não se vinculava à população. Ele criticou a nomeação de funcionários políticos que, muitas vezes, priorizam interesses partidários em detrimento do bem-estar da sociedade. Kaskiel Jr. também apontou para a centralização de recursos, um legado do governo militar, que persiste e é utilizada como ferramenta de controle político.
A Necessidade Urgente de Reforma Tributária
Luciano Nakabashi enfatizou a urgência de uma reforma tributária para simplificar o sistema, reduzir a carga tributária e alocar recursos de forma mais eficiente. Ele destacou que a complexidade do sistema desvia capital e pessoas da produção, gerando incertezas e impactando negativamente o empresariado. Nakabashi defendeu a importância de estimular o setor empresarial, reconhecendo seu papel na geração de empregos e investimentos.
Eficiência do Gasto Público e Reforma da Previdência
Ambos os especialistas concordaram com a necessidade de melhorar a eficiência do gasto público e promover uma reforma da previdência. Nakabashi sugeriu a necessidade de reduzir o número de funcionários políticos e melhorar a eficiência dos servidores públicos, com estímulos e recompensas para aumentar a produtividade. Ele alertou que a trajetória insustentável da previdência exerce pressão sobre a carga tributária, tornando a reforma essencial para o longo prazo. Kaskiel Jr. complementou, criticando a falta de reservas técnicas para pagar os aposentados, um problema histórico no Brasil.
Em suma, o debate apontou para a necessidade de repensar o modelo de gestão dos impostos e a alocação dos recursos públicos, buscando um sistema mais eficiente, transparente e que promova o desenvolvimento econômico e o bem-estar da população.



