Ouça o primeiro bloco do programa deste sábado (25)
O programa Almanac, edição de sábado, 25 de agosto de 2018, discutiu a gestão de lixo no Brasil, oito anos após a criação da Política Nacional de Resíduos Sólidos. Apesar da lei determinar o fim dos lixões e a instalação de aterros sanitários, o país enfrenta dificuldades na destinação adequada do lixo, com mais da metade das cidades brasileiras ainda sem solução adequada e uma em cada quatro casas sem coleta.
A Lei na Prática: Avanços e Desafios
O professor Marcelo Marini Pereira de Souza, da USP de Ribeirão Preto, avaliou a lei como de fundamental importância, mas ainda em grande parte no papel. Apesar da criação de consórcios intermunicipais e da inclusão social dos catadores, pouco se avançou. A falta de adesão de muitos municípios e a insuficiência de coleta seletiva são obstáculos significativos. Embora haja maior mobilização do que há oito anos, a realidade ainda está distante do ideal. A lei, no entanto, introduziu mecanismos como restrições a financiamentos para municípios que não cumprem as metas, incentivando a ação das prefeituras.
Lixões x Aterros Sanitários: Uma Diferença Crucial
O professor explicou a diferença entre lixões e aterros sanitários. Lixões são depósitos irregulares de lixo, sem planejamento, frequentemente em locais inadequados, causando graves problemas ambientais e de saúde pública. Aterros sanitários, por outro lado, são obras de engenharia planejadas, com estudos de localização e medidas para evitar a contaminação do solo e da água. Envolvem etapas de projeto, implantação, operação (cerca de 25 anos) e desativação (mais 25 anos), com responsabilidade definida e controle de acesso.
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Resíduos Sólidos: Um Olhar para o Futuro
A discussão abordou os resíduos sólidos, que vão além do lixo. O professor destacou a importância da redução da geração de resíduos (não geração), do reúso e da reciclagem, antes de chegar ao rejeito, que é o que deve ir para aterros. A participação das cooperativas de recicladores é fundamental. Atualmente, a maior parte do lixo vai para aterros, devido à baixa taxa de reciclagem e à falta de campanhas de conscientização. A questão cultural e a desigualdade social são fatores que impactam a gestão de resíduos no Brasil. O professor comparou a situação brasileira com a de países como Alemanha e Reino Unido, onde há maior conscientização e organização na separação e destinação do lixo. A educação ambiental nas escolas e a conscientização da população são cruciais para mudanças de comportamento. O programa também mencionou a possibilidade de transformar lixo em energia, uma alternativa em países com restrições de espaço para aterros, mas que depende de investimentos e planejamento. A necessidade de diálogo com a sociedade e a participação da população são pontos-chave para o sucesso de políticas de gestão de resíduos sólidos. A falta de colaboração, mesmo em cidades como Ribeirão Preto, demonstra a necessidade de maior conscientização e engajamento da população.



