Ouça o segundo bloco do programa que foi ao ar neste sábado (2)
Neste sábado, 2 de março de 2019, o programa Almarac recebeu Larissa Rizzati Gomes, historiadora e representante regional de museus da região metropolitana de Ribeirão Preto; Angélica Fabri, diretora executiva do Museu Casa de Portinari; e Davi Kazecker, do grupo técnico de coordenação do Cisem (Sistema Estadual de Museus de São Paulo), para discutir os impactos da revisão de políticas culturais pelo novo governo.
Impactos na Cultura com a Mudança de Governo
Com dois meses de um novo governo em vigor, políticas culturais estavam sendo revisadas, incluindo a reavaliação de incentivos da Petrobras à área cultural. Os convidados analisaram a situação com tranquilidade, argumentando que, apesar das mudanças governamentais, a cultura persiste. A extinção do Ministério da Cultura no governo Collor e sua posterior reinstauração exemplificam essa resiliência. A perspectiva de médio e longo prazo é crucial, enfatizando a participação da sociedade civil na construção de um modelo cultural para o país. A falta de entendimento sobre cultura por parte do Ministro da Cidadania (ao qual o órgão de cultura está subordinado) é vista como uma oportunidade para o setor cultural apresentar propostas concretas.
Acesso à Cultura e Formação Crítica
A redução de possibilidades de acesso à cultura preocupa os debatedores. Angélica Fabri destaca a importância do patrocínio e da renúncia fiscal para projetos culturais relevantes, alertando contra a generalização de problemas pontuais. Larissa Rizzati Gomes ressalta a necessidade de formar público para museus e outras atividades culturais, enfatizando o papel das escolas e famílias na criação de hábitos culturais desde a infância. A educação patrimonial, que promove o aprendizado por meio do patrimônio cultural, é apresentada como estratégia fundamental. A importância dos museus como espaços de reflexão e formação crítica é destacada, assim como a necessidade de abordar temas contemporâneos relevantes para a sociedade. A supervalorização de culturas estrangeiras, exemplificada pela maior visitação de brasileiros ao Louvre do que ao Museu Nacional do Rio de Janeiro (antes do incêndio), é criticada. A transformação da cultura em mercadoria e o foco em selfies nas redes sociais em detrimento da experiência com a obra de arte são apontados como problemas.
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Desafios e Perspectivas para o Futuro
A baixa frequência de brasileiros em museus é analisada sob diferentes perspectivas. Larissa Rizzati Gomes cita pesquisas que indicam que 93% da população de São Paulo e Rio de Janeiro nunca visitaram um museu, apontando para a necessidade de considerar a diversidade de grupos sociais e suas condições de acesso. Fatores como transporte, custo e tempo disponível são apontados como obstáculos. Angélica Fabri destaca a importância de promover o museu como espaço de lazer e prazer, complementando sua função educativa. A discussão finaliza com a afirmação da cultura como um elemento fundamental para o desenvolvimento do senso crítico, a preservação da identidade e a construção de uma sociedade mais crítica e participativa.



