Ouça o primeiro bloco do programa deste sábado
Os convidados do programa Almanac da CBN deste sábado já estavam no estúdio para discutir um tema de grande importância para a saúde pública: os vírus da dengue, chikungunya e Zika. A diretora de vigilância em saúde de Ribeirão Preto, Maria Luísa Santa Maria, e o médico epidemiologista do Hospital das Clínicas, Daniel Cardoso de Almeida Araújo, trouxeram informações cruciais para esclarecer e tranquilizar a população.
A Disseminação dos Vírus e o Alerta da Microcefalia
Dr. Daniel explicou que, embora algumas dessas doenças já sejam conhecidas no Brasil há muitos anos, outras, como o Zika vírus, têm se espalhado para novas áreas do mundo. A dengue circula no Brasil desde a década de 80, e a febre amarela tem relatos históricos desde a chegada dos europeus nas Américas. Mais recentemente, a chikungunya e o Zika vírus foram detectados no país. O estado de emergência em saúde pública foi decretado devido ao aumento de casos de microcefalia no Nordeste, com 739 casos suspeitos de infecção pelo Zika vírus em nove estados até 21 de novembro, segundo o Ministério da Saúde.
Ações e Preocupações em Ribeirão Preto
Maria Luísa Santa Maria destacou que, com a emergência de saúde pública, os serviços de vigilância precisam se estruturar para notificar os casos de microcefalia, que passou a ser de notificação compulsória em 19 de novembro. O Ministério da Saúde está investigando a possível ligação entre gestantes com sintomas semelhantes aos da dengue, chikungunya ou Zika e a microcefalia. Ribeirão Preto está estudando o assunto em conjunto com o H.C., montando um fluxo para notificar casos de gestantes com sintomas e oferecer assistência. No controle do vetor, o município mantém a cobertura de casos confirmados e suspeitos de dengue e chikungunya, embora ainda não haja casos confirmados de Zika. A população é fundamental nesse processo, eliminando focos do mosquito Aedes aegypti.
Leia também
Sintomas, Diagnóstico e a Síndrome de Guillain-Barré
Dr. Daniel explicou que os sintomas do Zika vírus são inespecíficos, geralmente leves, com febre baixa e exantema (vermelhidão na pele) semelhante ao da dengue. Conjuntivite também é comum. Gestantes estão preocupadas com a possível associação com a microcefalia. Além disso, há trabalhos mostrando a possível associação do Zika vírus com a síndrome de Guillain-Barré, uma paralisia aguda. A microcefalia é inédita e pode ter ocorrido devido à grande circulação do vírus no Brasil. O diagnóstico do Zika vírus é complicado, pois a sorologia tem reação cruzada com a dengue. O PCR, que detecta o vírus, só é eficaz nos primeiros três dias da doença. O Ministério da Saúde recomenda controlar o vetor, diminuir os criadouros e evitar o contato com o mosquito, além do uso de repelentes adequados para gestantes.
Microcefalia: Detalhes e Consequências
A pediatra e neonatologista Rita Marcia Pineli explicou por telefone que a microcefalia significa que o cérebro ou a cabeça da criança é menor do que o normal para sua idade. O diagnóstico é feito medindo o perímetro cefálico do bebê ao nascer. As causas são multifatoriais, incluindo infecções congênitas e falta de oxigenação ao nascimento. As sequelas variam desde nenhuma até atrasos no desenvolvimento neuropsicomotor, crises convulsivas e dificuldades na fala e no entendimento. O acompanhamento rigoroso é essencial.
A Responsabilidade de Todos
Maria Luísa Santa Maria reforçou que a microcefalia intensifica o alerta para combater o mosquito da dengue. Gestantes, com orientação médica, podem usar repelente e mobilizar a comunidade para evitar criadouros do mosquito. Em Ribeirão Preto, o índice predial de infestação está em nível de alerta, com focos dentro das casas, como vasos de plantas, pingadeiras e ralos. A mobilização social é fundamental para eliminar os criadouros. A síndrome de Guillain-Barré, associada ao Zika vírus, representa risco para toda a população. O mosquito não é o único culpado; nós criamos condições favoráveis para sua reprodução. A transmissão ocorre dentro das casas, e a responsabilidade é de todos.
Diante desse cenário, a colaboração de cada indivíduo e a disseminação de informações precisas são essenciais para proteger a saúde da população e combater a proliferação dessas doenças transmitidas pelo Aedes aegypti.



