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Em 2 de junho de 2018, o Brasil enfrentava uma grave crise devido à greve dos caminhoneiros, que havia começado em 21 de maio. A paralisação causou desabastecimento de bens essenciais e desencadeou outras manifestações, incluindo uma greve de petroleiros. A situação gerou uma onda de críticas ao governo Michel Temer, e uma parcela da população começou a defender a intervenção militar.
Incompetência Governamental e Insegurança
Para o presidente da OAB de Ribeirão Preto, Domingos Stocco, a principal causa do clamor por intervenção militar foi a incompetência do Poder Executivo em lidar com a greve. A inabilidade do governo em prever e controlar a dimensão do movimento gerou insegurança na população, abrindo espaço para a discussão de medidas extremas. Stocco enfatizou, porém, que a expressão da opinião popular faz parte da democracia, e que a solução para a crise deve ser encontrada dentro do Estado de Direito e da Constituição Federal.
A Intervenção Militar e a Democracia
O major Marco Aurélio Grit, da Polícia Militar, destacou que a intervenção militar era inadmissível e infrutífera. Ele explicou que as Forças Armadas se posicionaram a favor do cumprimento da Constituição, e que o contexto social atual é completamente diferente da década de 1960 e 1970, quando o país viveu sob regime militar. O historiador Orandis Rocha concordou, afirmando que o anseio por um governo militar sempre existiu, mas as redes sociais amplificaram esse sentimento, tornando-o mais visível.
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Reflexões sobre o Passado e o Futuro
Rocha contextualizou a história republicana brasileira, marcada por golpes e instabilidade política. Ele destacou a Constituição de 1988 como a mais democrática da história do país e a importância de se respeitar as instituições democráticas. A discussão sobre a intervenção militar, segundo os debatedores, é um reflexo da imaturidade democrática e da disseminação de fake news. A participação de militares na política, através de candidaturas a cargos eletivos, foi considerada legítima e parte do processo de amadurecimento democrático. A crise gerada pela greve dos caminhoneiros expôs não só a incompetência governamental, mas também a vulnerabilidade da sociedade a práticas de preços abusivos e a necessidade de um maior engajamento cívico.
O debate finaliza com a ênfase na importância do voto consciente e na necessidade de um amadurecimento democrático para superar as crises. A participação ativa da sociedade na busca por soluções dentro do marco constitucional é apontada como fundamental para o futuro do país.



