Especialistas falam das ações de combate ao machismo e de conscientização para uma sociedade mais igual entre os gêneros
Neste sábado, o programa Xcbn discutiu a histórica luta das mulheres por valorização e representatividade, em meio à crescente emancipação feminina no mercado de trabalho e na política. Apesar dos avanços, persiste a percepção da mulher como ameaça à sociedade patriarcal.
A ameaça à ordem patriarcal
As participantes – Adria Maria Bezerra Ferreira (professora e presidente da Casa da Mulher de Ribeirão Preto), Cláudia Passador (professora da Faculdade de Economia e Administração da USP Ribeirão Preto e pesquisadora em políticas públicas), e Elânia Almeida (ativista visual) – analisaram a persistência de uma sociedade patriarcal que vê a busca feminina por autonomia como uma ameaça. Adria destacou a resistência masculina à independência financeira e à liberdade feminina, exemplificada pela frase: “Eu já sustento essa casa, certo? Então você tem que obedecer, né?”. A luta por direitos, segundo ela, é fundamental para que as mulheres não se tornem reféns.
Retrocessos e a importância das políticas públicas
Cláudia Passador apontou o atual governo como explicitamente machista, com políticas públicas desmanteladas em áreas como saúde, educação e meio ambiente, afetando especialmente as minorias, incluindo as mulheres. A destruição de dados estatísticos dificulta o acompanhamento da situação e a criação de políticas eficazes. Elânia Almeida reforçou a urgência de se abordar a epidemia de feminicídio, comparando-a à resposta governamental a outras epidemias, como a de dengue ou coronavírus, e destacando a importância de projetos como o “Efêmera” na educação e conscientização.
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Educação, políticas públicas e o futuro
A discussão abordou a ineficácia da Lei Maria da Penha sem uma mudança cultural e educacional, a necessidade de uma educação política nas escolas para formar cidadãos críticos e conscientes de seus direitos, e a importância de projetos que promovam o empoderamento feminino, como o da Casa da Mulher de Ribeirão Preto. Elânia Almeida descreveu o projeto “Efêmera”, que utiliza a arte para empoderar mulheres, mas alertou para o desafio de manter o empoderamento feminino diante da resistência masculina à desconstrução do machismo. A conversa finalizou com uma reflexão sobre a necessidade de uma sociedade mais igualitária, com a participação ativa de homens e mulheres na construção de um futuro sem violência de gênero.



